Essa é a proposta do cinema contemporâneo - pelo menos daqueles que vão mais à frente: dedicar-se ao questionamento do que se diz ser a realidade, e a invenção. Problemas psicanalíticos, imaginários, públicos ou privados à parte, o que Eduardo Coutinho vem fazendo nos seus últimos filmes é algo que ultrapassa esses dilemas. Isso porque, como sabemos, o diretor desaba em discussões éticas em documentários. É melhor dizer que ele faz filmes, e não documentários, portanto. Muito mais agora, que suas "regras" foram quebradas. "Nunca montar de maneira ilusória; não colocarás voz over em cenas distintas; nunca inventará ficções para enganar o público - não sejeis Michael Moore!" Coutinho crítico da invenção, da imaginação no filme agora cria. Mas suas crias, suas criações ficam, ainda, na captação do momento. Ele quer, no fundo, deixar toda a discussão um pouco de lado, e aproveitar o ensejo de atrizes contratadas para tentar captar melhor aquilo que sempre tentou gravar....
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