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O Palhaço, Selton Melo (2011)

Selton não esquece o cinema - ao fazer cinema Em Bye Bye Brasil, 1979, Carlos Cacá Diegues brinca com uma expressão forte da época, a internacionalização de nossa cultura. A brincadeira alegórica, como era de se esperar daquele Cinema ainda Novo , centrava as atenções em um circo. Este, sim, o lugar de brincadeiras, troças, palhaçadas, e, de vez em quando por trás de tudo, de empreendedorismo – do desenvolvimento de uma cultura. Com o termo “internacionalização” vem muito debate. Estes, aliás, às vezes infrutíferos. Tudo é internacional, ainda mais no Brasil, país criado por imigrantes colonizadores. Em um filme que Selton Melo aparece alimentando essa mesma discussão no interior imaginado pela colônia, ninguém pareceu entrar na seara do debate: falo de Lavoura Arcaica. A família, sempre presente hoje nos melodramas cinematográficos, ali toma o pedestal de parábola bíblica, a forma usual, que qualquer cultura cristã parece compreender. Foi incompreendido, como ainda é também o es...

Góticos

Movimento? Parece que foi intenso, e referido aos Godos - tribo bárbara. Eles eram os góticos. Seus ascendentes, ao que parece, foram os Getas, de onde vem o testemunho de Jordanes (ou Jornanes), um romano. A essa época, à altura do medievo, os Romanos, como povo ou como ideologia, eram "dominadores" da cultura européia. Sabe-se hoje que, aquilo que é da "barbárie", não parece ser da "civilização". No entanto, essa máxima renascentista já é datada. Bárbaros são aqueles que não pertencem aos signos propostos pelo ideal de cidadania ocidental - que, aliás, não é bem este o do cânon germânico, junção de várias tribos bárbaras "aculturadas", ou "silvícolas". Por um longo tempo, o tempo secular, o cristianismo convenceu a todos que as matrizes étnicas dos bárbaros e dos romanos eram a mesma. Este longo tempo já é passado. Os góticos, como os turcos, aqueles de Istambul, Constantinopla, são povos extremamente diferentes da europa chamada ...
No Brasil, muito se esconde e não é mais possível calar. A violência grita. Seres humanos abandonados à sua própria sorte se tornam animais não carnívoros, não famintos, animais da diversão. Como não têm acesso aos produtos anunciados como aqueles que nos fazem felizes; como não têm acesso às mulheres que as publicidades vendem junto com a cerveja, como não têm acesso à educação, a um lugar na sociedade; como não têm acesso a uma identidade que seja, se lançam armados, brincando de super-heróis como os filmes americanos lhes ensinaram. (...) A possibilidade de participação na criação e execução de uma obra artística alerta para essa necessidade de se sentir existindo. Maria Beatriz de Medeiros.

Dzi Croquettes, as internacionais

Sobreviver aqui no Brasil não é tarefa para qualquer um. Quem se atreve a mergulhar no trabalho artístico, se mete em uma aposta quase igual a jogar na loteria. E quem se metia com arte, na década de 60, tinha plena consciência disso, não só porque se vivia tempos autoritários. Temos que concordar que nosso país foi, e é extremamente conservador no quesito artístico, e faz parte de qualquer cabeça mais inquieta essa reclamação. Ele foi, e é retrógrado em arte por diversos fatores que parecem extraterrestres, mas que passam pela incapacidade das famílias - arraigadas na presença da moral, da autoridade, da economia primitiva -, de entender que para que haja liberdade poética é indispensável uma atenção a estes artifícios simbólicos de nossa multiculturalidade inovadora. Pois bem – diante desse contexto, surgem artistas rebeldes em manejos surrealistas, e corrompem algumas atenções presas ao moralismo. Artistas, aliás, fora da classe média que não sabe comprar outra coisa que não seja a...

coincidência?

foto de Che Guevara morto na Bolívia Lição de anatomia, Rembrandt W. Eugene Smith, foto sobre a deformação causada pela poluição de mercúrio nos pescadores de Minamata, Japão Pietá, Michelangelo Madonna, Rafael Madonna Italiana, Lewis Hine

Sobre o que se pode tirar de “I am the Walrus” (John Lennon)

Grande parte do que vou escrever aqui é especulação. No entanto, grande parte também vai ter sua ligação com algo que já foi dito e escrito. Sobre os Beatles, filhos do proletário inglês que escolheram a criatividade como maneira de demonstrar um lirismo revolucionário comum na época do pós-guerra,a era extremista, romântica, surrealista, da juventude crítica às tradições imperialistas e dominadoras. Proletário do centro de um império cultural que continua sendo forte hoje. Centro não só capitalista, portanto. A música “I am the Walrus” é a primeira de John Lennon no disco lançado na ocasião do filme Magical Mystery Tour. Filme colorido, mas exibido em preto e branco na TV. Um fracasso, ainda que tenha emplacado 3 números 1 na lista de hits do “fab four”. Fracasso na ocasião, também, de uma comitiva grande de artistas que escolhiam, àquele momento de industrialização da cultura, a opção de criar obras populares com harmonias simples, para não taxarmos de pobres. A lição do blues e fol...