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Skip James subverte a nossa decomposição - compondo


Quando o Câncer chegou a seu corpo, Skip James já estava morto há tempos. Um gênio sábio da música norte americana, de um blues sem resquícios de inícios. Batia nas cordas e chamava pelo diabo, já que deus fechava os olhos para seu amor à vida. O demônio, o das encruzilhadas logo adiante alguns anos à frente.

Você deve saber, de vez em quando, que a vida é pouco. Deve-se fazer mais que isso, que viver. Além de saber disso, há algo em todo mundo (suponho com meu ar pequeno burguês antropológico) que incita a vida, que nos propõe agir. Seria... Seria a morte?

Quem duvidar que vai morrer, levante a mão. Seja pra agradecer ao justiceiro eterno, ou ao pai militar fascista. Vire a face e veja: há sim algo mais que a vida, mas não digo além dela. Skip James ultrapassou qualquer idéia de übermensch de aristocratas como Nietzsche. Skip James provou matematicamente – afinal, a música é matemática, que um ser oprimido ao extremo em seu trabalho infinito, escravo, absurdo, seu trabalho servil – repito: em seu trabalho escravo, pode fugir do mundo e mostrar um outro.

Não se trata de transcender – isso é cristão demais, nos imobiliza. Não se trata de chorar pelo final feliz, mas de saber que nesse mundo aqui há uma organização quase feminina de tão sedutora que nos coloca acima de qualquer filha da putice. Aceite se quiser, internauta tosco, a organização é seu dedo apontado para alguma coisa. Ou em um violão, ou em um piano, como fez Skip James pensando em sua tristeza trágica.

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