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A taste of honey - 1961 - Tony Richardson

Josephine é filha de uma mãe solteira que acaba de conhecer um rapaz de classe média alta com o qual pretende se casar. Ela vê como apenas mais um casamento da mãe, e se desencontra com essa "nova família", até porque Jo é muito sensível e ligada a um mundo mais "cigano", tal como as amiguinhas de escola dizem. A partir desse problema familiar vemos também como é que se dá uma adaptação ao sistema tradicional mais conservador - este representado pelo casamento da mãe e pela ojeriza de Jo ao novo marido mais rico.

Bem, o filme se desenvolve com esse conflito evidente de classes. Sua mãe, Helen, parece já estar cansada de viver fugindo de casa em casa sem conseguir pagar o aluguel. Já a garota Jo começa sua vida rejeitada pelo recém casal - morando só com um amigo repentino gay vendedor de sapatos, e esperando um filho de um marinheiro negro.

Jo, a contestadora infantil, ou, uma qualificação mais branda: a romântica, tem saudades do tempo de criança. A música do filme nos diz isso a toda a hora. Essa saudade parece dizer que a personagem não conhece a vida de adulto ainda, e que parece não se adaptar.

O filme teve uma boa aceitação na Inglaterra, na época em que foi exibido. Mais um dos angry young men, Tony Richardson, um dos criadores do Free Cinema, que não experimentava mais do que o que a platéia não conseguisse digerir. Richardson faria algo que Hitchcock havia deixado como caminho pragmático de criação, obras que questionavam aquilo que víamos, mas de uma maneira sutil que beirava o irônico. O velho Hitch foi citado apenas para entender tal caminho, mas não há comparação entre as obras dos dois diretores - Hitch era um poço de ironia metalinguística, ao contrário de qualquer outro cineasta inglês.

Talvez o sucesso que o filme tenha tido já vinha de um movimento cultural sui generis de Liverpool. Se não me engano já há algo escrito a respeito disso, no livro de E. P. Thompson, a respeito da criação da classe operária na Inglaterra. Vemos ao longo do filme indústrias que mancham o filme com fumaça - um cenário real aterrorizante. Não chamamos de expressionismo, apesar da cenografia medonha moderna, mas se pegarmos um grupo como os Beatles, que também vieram de Liverpool, entendemos mais o que essa cidade tinha de diferente. Um pólo de informações de todo o mundo, por conta do renomado porto que existe por lá, e uma porção de jovens perdidos pelo clima de pós guerra - o rock n'roll aparece como um escape para uma criatividade presa por muito tempo em um país rico em símbolos surreais.

Comentários

anakan disse…
já está na lista de links do meu blog. ótimas dicas de filmes. aqui vai o end de meu blog se quiser linkar:
http://debarte.blogspot.com/

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