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Porto das Caixas - Paulo César Saraceni - 1962

Junte os seguintes nomes: fotografia de Mário Carneiro, trilha sonora de Antônio Carlos Jobim, roteiro adaptado de Lúcio Cardoso, atuação de Reginaldo Farias, direção de Paulo César Saraceni. Será que a obra poderia sair razoável, com tanto peso junto? Sim - saiu.

Talvez porque Saraceni ainda não tinha a habilidade necessária para contradizer a linha do cinema traidicional no Brasil. São falsos raccords e quebras de eixo em demasia, são notas repetidas demais do Tom, ao passo que são fotografias lindíssimas de Mário - não se via tanta beleza até então no cinema brasileiro. Inclusive, nem se podia saber quanta beleza tinha esses dramas brasileiros.

Lembra, também, Sven Nykvist, o segundo diretor dos filmes de Bergman. Mas o filme sinceramente deixa a desejar em seu ritmo monótono, sem maiores surpresas. Uma moça do interior, mora na casa de um marido rude, e procura, através de seu charme, sedução, um rapaz para matá-lo. Ela tem discussões que parecem não querer acabar com este marido - são personagens que não revelam nada a quem assiste.

Fica a fotografia. O filme chega a ser mais pungente que o conhecido Desafio, também de Saraceni. Este diretor que era do cinema novo, era contestador, e, segundo ele mesmo diz, cunhou o slogan "Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça". Alguém, tipo Glauber, Ruy Guerra, ou Nelson Pereira, tinha que chegar no seu ouvido e dizer: MUITO cuidado com o que você quer contar em seus filmes pra não se perder no meio deles.

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