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Guerra Conjugal - Joaquim Pedro de Andrade - 1975

Joaquim Pedro teve sempre que ser muito tímido para que sua imposição artística não tivesse presença autoral , como no amigo que ele sempre admirou, Glauber.

Em uma comédia de costumes da classe média brasileira, só reatando as pazes com Nelson Rodrigues, mas ao jeito de Dalton Trevisan - exagerando no pessimismo, domesticando os planos em uma falta de sincronia entre o mundo velho e o mundo novo. Não só Joaquim Pedro seguiu, trilhou, abriu esse caminho no cinema novo, mas principalmente Arnaldo Jabôr, onde o drama de costumes chegou a seu ápice em uma agudez sátira. A briga é com o uso do melodrama com fins absolutos de mercado, e com o sentimento carioca meio bobo, de que há romantismo de folhetim em vida. O brega forte desse popular exagerado demonstra o que o avanço econômico nos proporciona, na mídia.

Nesse ambiente de cultura de massa dominante surge o filme Guerra Conjugal, de Joaquim Pedro. A mediocridade e decadência chegam a doer de tanta verossimilhança, nesse filme. É um retrato alegórico, mas que a figuração transpassa pelo palpável do acontecimento corriqueiro – como proposto, o filme é um drama de costumes, baseado em um livro de contos de Dalton Trevisan.

A densidade do filme fica na emoção pelo estranhamento crítico. Mais tarde, como atualmente, poderíamos comparar a crítica e a ruptura de Joaquim com a de Glauber, e os caminhos distintos que tomaram os dois autores, mesmo com essa semelhança. A realidade, nestes dois, é rejeitável, árida, hostil, crítica do imaginário. Dá pra dizer isso em filmes de Jabôr? Acredito que não. Mas é outra discussão.

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