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O Caso Cláudia (1979)

Miguel Borges, renascendo do Cinema Novo, faz um thriller policial perto do modelo americano... Isso é o que vemos no início desse filme, de 1979 - alguns anos da ditadura mais dura por aqui. A história se desenvolve num Estado em constante guerra civil - Rio de Janeiro. Depois de tudo o que vemos no filme linearmente narrado, do jeito que o público demanda, azuis de ânsia, pedimos pra deixar de saber daquilo tudo - aquele exagero que se contou diante de nossos olhos de espectadores.

Mas digo "nós" aqui numa abstração. O filme pode ser tudo, menos exagerado em seu estilo. O trhiller coube justamente, tal como Rubem Biáfora diria em um texto curto pra o jornal Estadão, da maneira de um Lúcio Flávio, Passageiro da Agonia, ou Assalto ao Trem Pagador. Esta espécie de conto policial brasileiro, aliás, profundamente brasileiro, é algo que na década de 90 se tentou fazer malogradamente puxando as histórias de Rubem Fonseca. Que é um exímio literato, mas cinema é mais que imagens transpostas pra tela.

A continuação desses policiais malandros que não conseguem mais do que explicitar uma estrutura da sociedade brasileira com seu olhar malicioso foi péssima, já que a publicidade, durante os anos 80, tomou conta das edificações audiovisuais no país. No filme de Miguel Borges vemos um diálogo truncado, um roteiro que parece se fazer ao longo do filme, um toque surrealista que retira os personagens principais, uma violência tosca - crua, tal como na realidade. Nada de brilho.

O fenômeno do filme fica, já que falamos de realidade, numa captação dessa socieade que insiste em ser pomposa ao lado de tanta miséria em morros periféricos. O Rio de Janeiro, a sempre ex-capital, é um absurdo ao ar livre. Qualquer turista vê isso - e qualquer um que veja O Caso Cláudia também percebe. E ao fim do filme, nada é como no início. Imagens muito diferentes da que vemos na emissora Globo - do RJ.

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