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Fantastic Four - 2007

Filme infantil, claro, como não poderia ser diferente das demais investidas da Marvel no cinema. Esta marca virou uma empresa, que difunde seus personagens pela telona agora, depois de uma daquelas crises de identidade do cinema Hollywoodiano. Mas é exageradamente ridículo como essas produções acabam se saindo piores que qualquer HQ. Os atores são péssimos - com exceção do surfista prateado, que talvez seja, tal como o roteiro, o gancho para que o filme não seja jogado por completo no lixo. Seria realmente entediante ver mais um seriado teen burro no cinema. Se não fosse a intriga causada pelo governo norte americano e seu braço militar, o pentágono contra os heróis do filme, não teríamos nada mais que milhões de US$ sendo jogados fora. Os quatro trabalham para sua pátria, assim como o governo. A pátria, portanto, ultrapassa qualquer instituição estatal, algo abstrato que os criou também, o quarteto fantástico. Mas os EUA no filme realmente tomam conta do mundo. Desde a Alemanha até a...

La ilusion viaja en tranvia - Luís Buñuel - 1953

O surrealismo no cinema não é acrescentado. Tá na figura dos planos- é inerente. Não adianta então dizer que Buñuel era um "cineasta surrealista", a não ser numa tentativa de colocar os seus filmes dentro de uma gênero a ser digerido. David Linch , George Lucas também lidam com o onírico e o absurdo em seus filmes, nem por isso ninguém os chama de surrealistas. Talvez de experimentais. O caso do diretor comunista espanhol é mais grave que qualquer experimentação. Seu primeiro curta com Salvador Dali é initeligível, e por isso fascinante. Quando ele sai exilado de seu país e conhece o México, aí sim temos contato com um cinema que influenciaria todo o mundo com suas peripécias. Na sua fase mexicana, Buñuel entra no funcionamento industrial da criação de planos de filmagens, mas nem por isso deixa as faíscas do inconsciente serem tolhidas. A ilusão viaja de trem vemos todo o filme como algo absolutamente absurdo - aquilo não acontece, não haveria como acontecer. No entanto, é...

Mouchette - Robert Bresson - 1967

Em português o filme teve o título de Mouchette - A virgem possuída. Não só foi absurdo acrescentar esse subtítulo, como foi criminoso. O filme é uma tragédia das mais contemporâneas, não só por usar uma personagem feminina sem perspectivas, completamente impotente. Não só também por Mouchette fazer parte de uma família de campesinos e por sofrer com a modernização e seu desencantamento. O filme também é um derramamento de ascetismo com lirismo romantizado, mas com forte formalismo que se mostra como filme. Bresson era religioso, sim. O mundo seria um fardo. E quem evidencia essa miséria do mundo? Os marginalizados. Mouchette é uma virgem, como Maria, que é sacrificada pela sociedade onde vive. Não lembro de cena tão forte no cinema quanto a dessa pequena virgem cuidando de sua mãe doente e de seu irmãozinho em uma casa de um só cômodo. Ou dela tentando ajudar a todos que encontra - rejeitando apenas a ostentação da riqueza de meninas. Mouchette pode ser visto e compreendido hoje... co...

Maria Antonieta - Sofia Coppola - 2006

Há quem diga que a personagem de Maria Antonieta (Marie Antoinette) é o alter-ego da diretora Sofia Coppola , neste seu terceiro filme. No meio de tanta pomposidade, do mundo de adornos e uma estética que preza pelos fru-frus maneiristas; dentro de uma entidade que cobra atitudes referentes a um comporamento nobre - exatamente como quer a indústria cinematográfica, a diretora se sentiria acuada, e expressaria isso na sua película. Mas é certo que Sofia , neste filme, mostra que possui já um certo domínio do que está fazendo, e pronta pra filmes blockbusters de qualquer espécie ou gênero. Como talvez a primeira cineasta mulher que chegue a ter um nome reconhecido mundialmente nessa indústria, ela prova seu senso estético bem apurado. Isso porque apesar dos fru-frus, do exagêro da corte de Luís XV, vemos como essa volta ao passado é algo extremamente forçado por uma brincadeira estética atual, no discurso de Maria Antonieta. É, já, um pé fora da imposição da arte industrial pós-moderna q...

Correspondente Estrangeiro - Alfred Hitchcock - 1940

O filme é feito ainda em guerra, em 1940. É um ótimo documento. Aquela velha ironia do cinema de Hitchcock é vista na história que se passa na Europa pré-guerra. Mas ela aparece apenas como traço de um estilo, não como aspecto mais importante. O fundamental é a mensagem que se passa ao país que acolheria o velho Hitch, e daria condições para que ele produzisse muitas de suas obras - os EUA. São muitos filmes que põem esse país como o salvador da guerra, mas talvez a raridade deste seja por ele ter sido feito durante a ebulição das invasões fascistas no velho mundo. É difícil não se perder na intensidade política completamente estetizada pelo cineasta, um erro fatal se ele não estivesse à procura de soluções para aquela hecatombe que acontecia. Digo isso porque fazer entretenimento e brincadeiras com fatos políticos é quase impossível sem que se perca o domínio da obra. Ela sai do controle de qualquer intenção e segue qualquer opinião - desde a mais rasa à mais sem sentido. Não é o caso...

Dangerous Game - Abel Ferrara - 1993

Madonna não é maria, nem virgem, nem mesmo real. Em qualquer aparição dela há a exata elucidação de sua falsa e espetacular condição. Veja o nome dado: Madonna - um objeto de apreciação tanto artístico, quanto de homens. Como vivemos em uma tribo global machista, tudo está em casa. No filme de Abel Ferrara ela surge como aquela que incita o tal jogo perigoso. A mulher antes despudorada, agora de família. Afinal, a família é algo a ser elevado como padrão, como fim de uma vida? Ela deve mesmo ser a base dessa sociedade de consumo? Ela é a realidade basilar? Para um melodrama, sim. Mas não para um filme que briga, acaba com esse drama. Ainda que haja um clima religioso, muitíssimo diferente daquele um dia criado pelo realista alemão Herzog , citado no filme, temos aquela noção da minúncia anti-cidadão-mediano-americano-falso. E vemos o ídolo Madonna como, agora, um ícone caído, morto. Ela mesma é uma iconoclasta, se chegamos mais próximo de suas músicas. O filme acaba sendo uma experime...

Rebecca - Alfred Hitchcock - 1940

Duas coisas pra se grifar nesse filme de Alfred Hitchcock . A primeira é que ficamos sem saber o nome da personagem principal de Rebecca. A segunda é que há uma outra personagem que não põe as caras na película, e é quem dá sentido a toda a trama: a finada sra. De Winter, Rebecca. Foi o primeiro de muitos filmes ímpares do diretor inglês nos EUA, e talvez já aquele que mostra o grande fôlego narrativo do chamado mestre do suspense. Hitchcock é talvez insuperável até hoje pela sua capacidade de manipular de uma maneira impressionante todos os climas de seus filmes. Qualquer espectador mediano se sente entediado em um filme mal narrado - não sentimos isso nos filmes de Hitchcock , já que há uma mudança brusca de geografias e personagens, nos seus filmes mais conhecidos. Em Rebecca a personagem principal é extremamente cativante por ter vindo de classe pobre, de um emprego humilhante de "companheira" de dondoca aristocrata para esposa de um dos mais conhecidos nobres da inglater...