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No Brasil, muito se esconde e não é mais possível calar. A violência grita. Seres humanos abandonados à sua própria sorte se tornam animais não carnívoros, não famintos, animais da diversão. Como não têm acesso aos produtos anunciados como aqueles que nos fazem felizes; como não têm acesso às mulheres que as publicidades vendem junto com a cerveja, como não têm acesso à educação, a um lugar na sociedade; como não têm acesso a uma identidade que seja, se lançam armados, brincando de super-heróis como os filmes americanos lhes ensinaram. (...) A possibilidade de participação na criação e execução de uma obra artística alerta para essa necessidade de se sentir existindo. Maria Beatriz de Medeiros.

Dzi Croquettes, as internacionais

Sobreviver aqui no Brasil não é tarefa para qualquer um. Quem se atreve a mergulhar no trabalho artístico, se mete em uma aposta quase igual a jogar na loteria. E quem se metia com arte, na década de 60, tinha plena consciência disso, não só porque se vivia tempos autoritários. Temos que concordar que nosso país foi, e é extremamente conservador no quesito artístico, e faz parte de qualquer cabeça mais inquieta essa reclamação. Ele foi, e é retrógrado em arte por diversos fatores que parecem extraterrestres, mas que passam pela incapacidade das famílias - arraigadas na presença da moral, da autoridade, da economia primitiva -, de entender que para que haja liberdade poética é indispensável uma atenção a estes artifícios simbólicos de nossa multiculturalidade inovadora. Pois bem – diante desse contexto, surgem artistas rebeldes em manejos surrealistas, e corrompem algumas atenções presas ao moralismo. Artistas, aliás, fora da classe média que não sabe comprar outra coisa que não seja a...

coincidência?

foto de Che Guevara morto na Bolívia Lição de anatomia, Rembrandt W. Eugene Smith, foto sobre a deformação causada pela poluição de mercúrio nos pescadores de Minamata, Japão Pietá, Michelangelo Madonna, Rafael Madonna Italiana, Lewis Hine

Sobre o que se pode tirar de “I am the Walrus” (John Lennon)

Grande parte do que vou escrever aqui é especulação. No entanto, grande parte também vai ter sua ligação com algo que já foi dito e escrito. Sobre os Beatles, filhos do proletário inglês que escolheram a criatividade como maneira de demonstrar um lirismo revolucionário comum na época do pós-guerra,a era extremista, romântica, surrealista, da juventude crítica às tradições imperialistas e dominadoras. Proletário do centro de um império cultural que continua sendo forte hoje. Centro não só capitalista, portanto. A música “I am the Walrus” é a primeira de John Lennon no disco lançado na ocasião do filme Magical Mystery Tour. Filme colorido, mas exibido em preto e branco na TV. Um fracasso, ainda que tenha emplacado 3 números 1 na lista de hits do “fab four”. Fracasso na ocasião, também, de uma comitiva grande de artistas que escolhiam, àquele momento de industrialização da cultura, a opção de criar obras populares com harmonias simples, para não taxarmos de pobres. A lição do blues e fol...

::algo sobre a reclamação::

Ao que parece, e todos sabem disso mas não saem por aí dizendo, o Novo Mundo ainda sofre com algo da herança colonial. Por quê? Porque aqui, principalmente no Sul, a chamada sudamérica, dizem pelos cantos a frase "se a gente reclamar não dá jeito" - ou pior: "não adianta reclamar"; "se reclamarmos de tudo vamos viver reclamando", fazendo mal apenas a nós mesmos, ao nosso estômago. Não acredito que nada aqui seja "natural". Naturais são as florestas paradisíacas, não a maneira de se atuar em sociedade. O que me parece é que aqui querem mais viver felizes, se possível em festas que vão das micaretas às farras dos peões - e isso vale para a américa do norte também, que tem a melhor e mais inventiva música do mundo, o rock n´roll por eles criado. O Novo Mundo vive festejando a vida, por novas perspectivas de uma multiculturalidade do futuro, da construção de um "novo milênio", novas vias, novidades levadas ao mundo inteiro. Mas nós aqui no ...

Um filme que beirou a política: Bem Amado - Guel Arraes - 2010

Quando o filme Bem Amado termina, vemos o nome Brasil transmutar-se em Sucupira . Isso acontece por razões claras de uma tentativa de se fazer política nesse andamento indeterminado da arte cinematográfica contemporânea. Guel Arraes, diretor do filme, filho de político conhecido pelo exílio, de Pernambuco, que trabalha na Rede Globo desde a década de 80, assume diretamente o tema político – e finalmente - , mas com certeza meio tarde. Indeterminação também na tentativa de um diagnóstico usando a tardia alegoria do dramaturgo Dias Gomes, em tempos que tudo fica claro quando é dito “na cara”, e não em adornamentos e mensagens escondidas e distorcidas. Nada contra a alegoria, pelo contrário. O problema fica em seu manejo. Digamos que, o ator Marco Nanini, que trabalha com Guel no seriado A Grande Família, e é relembrado como o matador de “Lisbela e o Prisioneiro”, chama o filme para si. Mais que, à época, Paulo Gracindo. Odorico Paraguaçu, o prefeito coronel, político-mor da província ...