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A morte e Glauber Rocha

Serge Daney « Genial e incómodo; o mais conhecido – e é sem dúvida o maior – dos cineastas brasileiros estava um pouco esquecido. Cinema novo, tropicalismo, tricontinentalismo estão longe? Ele, Glauber Rocha, não esquecia nada. A última vez que vi Glauber Rocha foi nos escritórios dos Cahiers du cinéma , perto da Bastilha. Não o conhecia, mas tinha visto os seus filmes dez anos antes. Já ninguém falava dele, excepto para dizer que tinha ficado louco ou que se tinha comprometido com o regime militar brasileiro. Tinha vindo a França mostrar, quase em bicos de pés, o seu último filme, um filme a que tinha dedicado bastante tempo, dinheiro e trabalho e que tinha deixado os festivaleiros de Veneza pelo menos perplexos. Esse chamava-se A idade da terra e não se parecia a nada de conhecido. Um filme torrencial e alucinado. Um Ovni fílmico, nem mais, nem menos. Glauber estava em Paris para tentar distribuir o seu filme, reatar alianças, fazer o ponto da situação. Falava muito, delirava certa...

Conversa: Jean-Luc Godard/Serge Daney

(a propósito das História(s) do Cinema) Godard e Daney falando sobre as histórias do cinema. Dois olhares semelhantes sobre a situação do cinema, mesmo objeto de estudo: o cinema enquanto "histórico". Em momentos, entretanto, parece que os dois falam línguas diferentes, que desenvolvem seu pensamento paralelamente, com pequenas bifurcações apenas. Estilo um pouco estranho, mas que dá uma idéia da dimensão do pensmento contemporâneo sobre o cinema e sua história. Serge Daney: Você faz a história do cinema no momento em que está claro para você que essa pesquisa não se realizou, ou que ela acabou, e que os ensinamentos que ela poderia ter sobre a vida das pessoas, dos povos, das culturas não foram absorvidos. Quando você era mais didático, quando você acreditava na transmissão das coisas, de maneira mais militante, eu me dizia que você tentava sempre reconduzir as ex...