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O Irlandês - sobre o cidadão neoliberal dos EUA

Como se pode ver, os caminhos que textos tomam por aqui são distintos da crítica mainstream que a internet forja. Não faz parte deste veículo, um mero blog, imprimir, reproduzir, repetir ladainha de portais que tentam fazer publicidade de si mesmos, ou, do filme.

É neste sentido que afirmo: Scorsese, há alguns filmes passados, tenta nos revelar (nós, cidadãos do mundo e espectadores de cinema) quem é o famoso neoliberal norte-americano.
O Neoliberal comum Um senhor pacato, pai de família que toma café todos os dias com suas filhas, apadrinhado por pessoas importantes do núcleo político (não-institucional, como a máfia) que influencia toda uma cultura dos EUA. Este liberal, que é mais que um liberal à la Adam Smith, é um assassino frio, candidato a capacho fiel de uma máfia dita latina em meio aos étnicos brancos, proto-fascistas, do país que hoje é centro do império mundial.

Este personagem também é o encarnado por Robert De Niro em Cassino (1995), um empreendedor de jogos em Las Vegas…
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Coringa – características do neofascista

Este filme tem puxado muita atenção de quem tem no mínimo um interesse pelo que vem acontecendo pelo mundo – e, claro, nos países mais afastados do núcleo duro do capitalismo. Tipo o Chile (ver foto). Mascarados foram às ruas tanto no Brasil de 2013 quanto hoje em países como Equador, Iraque, Turquia, etc. O engraçado: foram chamados de neofascistas pela esquerda moderada... O caso “Coringa”, eu diria, não é o mesmo dos Black Block: movimento anarquista que teve força na Europa, tempos depois em vários outros países. O Coringa é um tipo psicopata, fora de qualquer moralismo. Boa parte dos que falam com certo gosto pelo filme afirma que Coringa é sobre “como nasce um criminoso”. Um criminoso qualquer. Pegamos uma pessoa que vive no subúrbio de uma grande cidade, trabalhador, filho de mãe solteira, num emprego precário, ridicularizado por boa parte da sociedade, um chamado “fracassado” da periferia. Este tipo “loser”, num acesso psicótico gradual em que tem delírios de grandeza, ganha um…

Aquarius - Kleber Mendonça Filho

A sensibilidade do filme Aquarius é de tocar em assuntos que são de debates políticos viciados - tornados inclusive fetichizados - , e mostrá-los de uma maneira como se fosse a primeira vez que experienciamos aquilo. Uma orgia com Wesley Safadão; um papo da juventude reacionária filha da casa grande racista com a protagonista; uma invasão do cotidiano evangélico e religioso em nossa privacidade; a dificuldade em remontar a história de escravidão do trabalho doméstico...
A própria Clara é uma remanescente da casa grande, óbvio. Ela tem a experiência da ocupação dos espaços por uma "nova direita" que, pior que a velha, é agressiva na adaptação ao mercado. Tudo o que é viciado no olhar deixa de ser "discutível". O filme então pode trazer aos que se beneficiam do mercado imobiliário, das igrejas pentecostais, da exploração do trabalho doméstico, do mercado de músicas "pancadas", portanto, um outro olhar sobre isso tudo. É como se estivéssemos vendo tudo o que…

Star Wars: The Force Awakens

Star Wars – saga épica contra o império Aviso: ler apenas após assistir ao filme O fenômeno de vendas do século passado, década de 1970, após a revolução cultural da juventude mundial – associada constantemente a maio de 1968 -, foi, e ainda é Star Wars. Naquela época de lançamento do filme era um contexto de Guerra Fria, portanto, também, de algo que eparecia ser um tipo de ideologia ultrapassada que havia assassinado uma utopia que em outros dias também tinha sido de uma juventude Russa: o comunismo totalitário. Em Star Wars, IV, V e VI, a Guerra é contra um império controlado por um ditador com capa negra, quase robô, mas que, por força do melodrama, seria pai do grande herói da saga: Luke Skywalker. Passam os anos 1980, 1990 e a força de venda desse produto (sim, porque cinema não poderia ser um produto?) só vem se confirmar. Agora, como propunha a história quase sem fim de George Lucas (que, provavelmente teria algo na família, mais que no nome, de uma consciência de classe luckacs…

Que horas ela volta?

Anna Muylaert (2015) (The second mother, Une seconde mère)
Um plano de uma escada iluminada com certo rigor do meio de tarde, certa penumbra, fim do dia em que o sol pára de iluminar e entra a noite em que todos dormem com certa tranqüilidade. Menos a personagem principal chamada Val, interpretada pela agora apresentadora de TV da Rede Globo, Regina Casé. A empregada doméstica aguarda a hora de sua filha, Jéssica, chegar de Pernambuco. Também esperam a hora chegar, os demais personagens da família de classe média-quase-alta paulistana do Morumbi. Que horas seriam? Hora que a servidão, ou a cultura da servilitude, ou da amizade do(a) agregado(a), do favor acima de qualquer serviço profissional, tomaria algum tipo de “consciência de sua classe social”. Seria assim, caso estivéssemos num ambiente de conversas da década de 70 – do cinema político, gênero que ambientava a chamada luta de classes em viés quase óbvio de instrução, ou revolução cultural.
Porém, amigos(as), estamos em 2015 – époc…

Interestelar (Interestellar) – Christopher Nolan, 2014

Não é tema novo desenvolver linhas de raciocínio ao longo do roteiro “lógico”, e também literário, sobre a “natureza humana”. Também sabe-se que, quando em crise, o cinema norte-americano elabora com todas as suas forças e contingentes de trabalhadores o gênero épico. E muito dinheiro é usado nisso. Qualquer criança vê nestes épicos a força, aliada à potência passadista medieval (saga das adaptações de Tolkien por Peter Jackson) de uma mitologia com armas evidentemente ideológicas. No entanto, as crianças estão fora do jogo – mesmo participando intensamente dele tanto nas telas quanto nas cadeiras de espectadores. Está também, fora do jogo, a pequena filha do grande explorador de universos, o personagem chamado Cooper.
O jogo de Christopher Nolan é outro – mesmo dentro do gênero épico. Ele elabora um roteiro que nos traga a brincadeira de criança que é a lógica, e falta dela. O herói americano tem que estar em todos os métiers. Afinal de contas trata-se de uma contemplação imperial, de…

Jogo das Decapitações (2013, Sérgio Bianchi)

Haveria quem dissesse que o sarcasmo dos filmes de Sérgio Bianchi pesam na mão, perdem um pouco a medida, transbordam com um ódio destilado pela “câmera-faca”. Mas e a velha procura pela realidade, não pode ganhar esse tom? O cinema brasileiro que tanto prezou por algum tempo em seu novo cinema – que, mesmo distante da maldição da ironia e sadismo em seu início, já demonstrava o que havia de falho nos discursos oficiais sobre o que se chamou por muito tempo de “Brasil” - , é ele um motivo ideológico impulsionado pelos seus diretores? E a morbidez do cinema chamado MARGINAL, em São Paulo? Contra a adoção da indústria carioca da Rede Globo? Não trariam, estes contextos algo a mais na discussão sobre a ideologia no cinema?
Impossível juntar ideologia e desbunde. Essa impossibilidade é vista em “Jogo das Decapitações”, de Bianchi. Ele mesmo parece propôr essa impossibilidade de diálogo desde seu principiante “Maldita Coincidência”(1973), este que se exibe em trechos também no filme atual. …