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Freud e o interior da superfície

Esta obra do sobrinho do criador da psicanálise, e, um dos mais aclamados pintores atualmente – o Lucian Freud, mostra Kate Moss, grávida, deitada. Não se sabe mesmo se é a modelo que está como objeto na obra. Mas se sabe que o Lucian tem admiração pela modelo, e que talvez eles tenham um caso.

Fato é: o quadro se tornou o mais famoso de Lucian desde a pintura da Rainha Elizabeth. Este último quadro fez a rainha levantar de seu trono e dar suas já conhecidas reclamações mediante “súditos”. Kate Moss já foi alertada pela sociedade bretã: não use mais drogas – diziam até que ela era traficante. Entre boatos, fofocas, coisas dessas revistas baratas e sem conteúdo nenhum, Kate Moss é hoje uma famosa drogada só por uma foto dela cheirando cocaína ter saído num jornal.





Lucian Freud usa uma modelo, uma manequim, não sei como classificar direito essas moças que não são nada além de corpo... Ele usa uma pessoa reificada ao extremo pra nos mostrar o humano. Seria como se existisse, e existe, um humanismo naquelas pessoas que não são absolutamente nada mais que uns manequins a serem vendidos – e a humanidade não vê coisas em pessoas. Interessante, porque o que mais estamos sendo hoje em dia é isso. Numa foto Moss não nos mostra tanto de seu interior. Parece que quão mais realista é nossa percepção, mais nos damos conta de que estamos sendo enganados. Freud, o Lucian, leva o figurativismo pra nos tirar dessa ficção do real mentiroso da objetividade.

Comentários

Impensamental disse…
Bom ano 2006, no qual gostava mesmo de ir ao Brasil... muitas belas cores para ti.
Eric Blair disse…
Gosto, especialmente do título.
tatiana hora disse…
lucian freud...
ele tem a quem puxar.
Anônimo disse…
Olá.. Li suas palavras há pouco, e fiquei contente com sua passagem. Realmente, Poética do espaço é uma ótima leitura, um deleite. Benjamin, um autor que eu quero ler já faz um baita tempo, e ainda não tive a oportunidade (?). Barthes eu adorei o que li, sobre o olhar... Uma das coisas mais bonitas que já li sobre a construção do olhar sobre a cidade, a partir daquele que "passa", foi "inominável morrer", do Michel de Certeau. Já ouviste falar?
Parece q poderemos trocar muitas idéias... Gostei muito do seu espaço. Um abração!

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