
Ele pode até, ainda de espreita, ver o que você faz. Esse bicho grande... bicho que mata... O que ele está fazendo?. Ele pode até te observar. Mas de longe.
Andando, você vê o gato. Ele não te vê. O gato, então, se assusta com você e seu barulho de andar.
Dormindo, você acorda com um barulho em casa. Na cozinha. Levanta pra ver o que é. Pensa que pode ser algum ladrão, alguma pessoa dentro de sua casa. Liga a luz e é o gato. O gato mexendo no lixo. O gato olha, novamente, do mesmo jeito, pra você. Ele não olha pra os lados, olha pra você. Se você der um passo a mais ele procura pra onde ir, mas até então ele olha pra você. Se você for embora, virar as costas, ele não acredita, e continua olhando pra você. Se você ficar por muito tempo olhando pra ele, como ele olha pra você, ele vai embora devagar.
Você e o gato sabem: você é um predador, um bicho que mata, acaba, finaliza. Um bicho que criou deus – aquele que dá sentido, finalidade.
O gato nada. Nada de deus, nada de amor, nada de felicidade. O gato somente foge pra viver. Foge de você.
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