
Foi, na rua, na calçada pelando, perto daquele meio fio – uma reta de concreto que nos avisa até onde podemos ficar para não sermos trucidados pelas máquinas velozes – as máquinas que dão uma carapuça moral há milênios procurada pelos homens medievais, românticos e, agora, modernos. A carapuça que nos movimenta economicamente hoje em dia – e é movida à gasolina, derivado do petróleo das guerras.
O matinho tenta crescer entre as pedras. O vento tenta passar os prédios. E eu olhando aquela reta, aquela grande reta na qual nós não podemos ficar muito tempo – periga morrer. O sol esquenta mais, o tempo esquenta o sol e vice versa. Mas eu vejo, então, pessoas arrumadas, gostando de andar com o cabelo recém molhado do banho – que só saem de casa depois de um banho. E suspiram por ter que pegar um ônibus.
A grande máquina sem vento e que fede muito, então, chega. Todos esperavam vida, mas ela não chega.
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