
O demônio veio e tirou um menininho da sua toca. O menininho olhou pra o deserto e mandou o demônio ir embora. O demônio que falava não quis ir. Era hora logo de acabar com aquilo, portanto o menininho acabou falando diretamente praquele demônio meio indeciso.
- Olha pra onde você ta me apontando. Vê só o lugar onde estaria aquilo que eu ganho sendo seu amigo. Olha pra lá. Você acha que eu sou otário? Você acha mesmo que eu vou cair nessa sua ladainha, seu safado? O deserto? Acha que eu vou acreditar que no deserto vão ter mulheres, dinheiro e fama? Ah, qualé.
O demônio entra um pouco em pânico por não lembrar das aulas de retórica que tinha feito no Senac. Então abre a boca, soltando bafo de fome:
- Menino... No deserto você tem petróleo. Esqueceu disso?
Foi então que aquela inocência aparente se apresentou como realmente aparente para olhos que desperdiçam tempo com TVs ligadas. O menino deixou de ser menino, e falou que nunca havia pensado dessa maneira. Até abriu seu jogo, dizendo que é realmente da privação que aparece sempre a maior recompensa.
- Mefistófoles... Vós sabeis mesmo o que falais.
A pronúncia foi clara: “sabeis e falais”.
O tal do menino fez campanha, mas já tinha sua alma completamente sob as tentações do(a) capital, da usura, da procura pelo genocídio de todas as raças podres que não sabem o que querem do mundo. Ora vejam, dizia ele, o mundo tem muito a dar, e esses loucos vivem reclamando de tudo. “Ignora-los-ei”.
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