o que antes era vanguarda, hoje é pop - vendível e vendável. A revolução não é regra, é exceção. Se ela vira regra não existe subversão de ordem alguma. Mas não falo com veias conservadoras. Digo apenas que o que se vê como revolução demandada, exercida e disponibilizada é apenas uma simulação da própria. Se fosse realmente revolucionário ser revolucionário hoje, estaríamos em um dos mundos mais loucos de todos os que já passaram por nossa frente. O mundo de hoje é completamente digerível. Como sempre o foi. Em outras palavras - vivemos em um estado de exceção, no qual a exceção virou regra, no qual as mudanças fazem parte de um projeto renintente de estabilização de comportamentos mundiais.
Quem não gostou do filme, em particular da história do filme - do enredo -, é um negacionista. Disso não resta mais nenhuma dúvida. Mas, qual será a ordem desse negacionismo que nos cerca? Esse Bolsonaro-trumpismo influente e tão ameaçador que faria, nessa historinha de filme cômico, as democracias e os próprios democratas (se é que há democratas reais no filme) aderirem ao fim do mundo? Sim, se você não percebeu ainda, os negacionistas pretendem o fim do mundo. Seja de um mundo esférico, por uma defesa do mundo plano, seja de um mundo pleno (com E) e vivido pelas multiplicidades de pessoas diferentes. Esses negacionistas que nos atordoam a toda hora na internet, e que um dia foram chamados de HATERS, hoje estão nas famílias mais democráticas de nossas Américas, são negadores tal como aquela negatividade hegeliana que se travestiu ao longo dos tempos com a terminologia "crítica". Está, portanto, aberta a porta dos infernos, a chamada caixa de Pandora, um baú da infelicidade, ...
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