Pular para o conteúdo principal
Signos que parecem perdidos no meio de um turbilhão de prédios. Como em uma bolsa de valores em Wall Street todos eles gritam por uma atenção, E esses signos ainda nem sequer foram completamente significados. São ainda umas quase palavras rondando a casa que parece também um tanto bem protegida demais contra o que vem de fora. É a í então que uma das paredes rui, e cai abaixo um signo absurdamente denso e profundo, que de uma maneira mais midiática queria nos demonstrar que a profundidade chega aos céus – deflorando ou estuprando a LIVIDEZ DO NADA infinito. Um signo do poder sobre-humano, o signo fálico, desejo das masculinidades “primitivas”. Aquelas dominadoras do pater família gentil e brando que no olhar já nos coloca em nosso devido lugar.

O signo cai, e como não bastasse somente um signo cair, cai outro ao lado, cópia do primeiro. Caíram abaixo sobre choros de milhares, e sob destroços de um metal não muito resistente ao calor.


Quem pra nos dizer que aqueles dois signos caíam e não era mentira, cinema?! Ninguém sequer pensava na possibilidade desses signos caírem. Mesmo assim acreditavam logo após eles já estarem no chão. Por quê?

Uma pergunta aparece assim desse vão que tais gêmeas tem causado em nosso coração. No fundo no fundo até sabíamos que mais cedo ou mais tarde iríamos precisar de uma ponte de safena. De qualquer forma, pensavam que isso tudo , mesmo depois de passado tanto tempo sem se espantar, nem ao menos ver as imagens aterrorizantes que a TV insistia em repetir, não ia mais servir.

Mas quem é mesmo que diz o que vai ou o que não vai servir? Certamente não são os norte-americanos abalados em sua simbólica castração ad extremus. Nem mesmo os castradores, que de uma maneira brilhante (em todos os sentidos) conseguiram demolir as crenças ocidentais modernas e do nosso capitalismo tardio. Essas vão desde a que o homem é , apesar de tudo, descentrado. Vêm alguns “bárbaros” pra nos ensinar que a história não acabou, que o mundo não vai acabar, e que nada se acabou. O que os bárbaros mais tentaram nos avisar é que existem outras maneiras de se encarar, perceber o mundo. Dentre elas, uma mais forte, completamente envolta por um instinto da luta-de-classe e a fundamentação teológica – a volta de deus mais furioso que nunca.

Mas esse deus e esses bárbaros nem mesmo foram ouvidos, e nem entrevistados pelo jornal. O que se ouve e o que se sabe foi que duas grandes torres foram abaixo. Esses signos do capital ANTIGO, que tem em algum lugar ali um pouco dos meus impostos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Don't Look Up - Não olhe pra cima (2021)

Quem não gostou do filme, em particular da história do filme - do enredo -, é um negacionista. Disso não resta mais nenhuma dúvida. Mas, qual será a ordem desse negacionismo que nos cerca? Esse Bolsonaro-trumpismo influente e tão ameaçador que faria, nessa historinha de filme cômico, as democracias e os próprios democratas (se é que há democratas reais no filme) aderirem ao fim do mundo? Sim, se você não percebeu ainda, os negacionistas pretendem o fim do mundo. Seja de um mundo esférico, por uma defesa do mundo plano, seja de um mundo pleno (com E) e vivido pelas multiplicidades de pessoas diferentes. Esses negacionistas que nos atordoam a toda hora na internet, e que um dia foram chamados de HATERS, hoje estão nas famílias mais democráticas de nossas Américas, são negadores tal como aquela negatividade hegeliana que se travestiu ao longo dos tempos com a terminologia "crítica". Está, portanto, aberta a porta dos infernos, a chamada caixa de Pandora, um baú da infelicidade, ...

Memória, de Apichatpong Weeraserhakul

  Uma coisa é certa em filmes de Apichatpong: você não se vê no tempo unicamente cronológico. Esse tempo-outro, mais relatado pela indistinção entre o que chamamos de passado, presente ou futuro, nos coloca em um questionamento direto sobre nossa presença no mundo atual. Memória, seu novo tratado (insisto em não chamar apenas de filme uma tese contínua), procura nos evidenciar aquela indistinção. Mas o tempo indistinto, na memória de uma colonizadora - vivida por Tilda Swinton -, mente o tempo todo. Se realiza na ficção, numa espécie de loucura. Por que isso se mostra dessa maneira? Provavelmente porque a racionalidade, o “colocar tudo nos eixos” é alguma coisa muito pouco elucidativa. Esse uso do racional para mostrar o que queremos, ou o que parece ser o “real” já se encontra há muito tempo em crise. Na memória, nós vemos uma profunda escavação arqueológica. Ela nos coloca em questão, como pessoas viventes em uma narração ocidental. Essa memória é capaz de unir a Tailândia com a ...

A Última Floresta - Luis Bolognesi e Davi Kopenawa

A imersão de Bolognesi nos temas indígenas, em seus últimos filmes, demonstra que quando o cinema dá atenção a isso, algo se revela. Parece ser um caminho sem volta. Uma estrada sem fim. Mostrar, em imagem, os temas indígenas, tem força de revelação, sim - mas também de reativação com discussões antigas. O que faz aquele que se chama de "indígena" um caso particular. Não se fala de uma humanidade, de um humanismo nos termos que antes das colonizações de falou. Estamos diante de uma questão, um dia chamada "indígena". Estamos diante, portanto, de algumas questões que envolvem afetos e sentimentos que nos forjam como pessoas ligadas ao subjetivo indiretamente violentado e assassinado pelo contato interétnico das interiorizações do país. Davi Kopenawa tem sido um dos maiores lutadores, desde os conflitos com garimpeiros nos tempos de Serra Pelada, e também, como não dizer, na briga que ainda se vale de gritos e falsas informações sobre as terras yanomami entre Roraima ...