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é isso... todos pensam que estão num mar calmo, brando e sem maiores conflitos.
pensam viver naquela estrada sem carros nenhum, andando rápido sem perigo de acidentes.
acreditam estar quase voando, flutuando sobre o chão sem sujeiras.
vivem respirando perfumes.
acham que antes de falar mal de alguma coisa, ou de falar bem mesmo, deve-se saber que ninguém tem esse cacife - ou seja: não abra a boca pra dar opiniões.

seria fraqueza?
lividez?
o melodrama, as emoções teriam então entrado na cabecinha das pessoas e tomado conta de qualquer criação ( de opiniões, também)?

ou covardia daquelas que nenhum bicho tem, só o ser humano?

dia desses eu andava por uma banca de revistas e vi aquelas mulheres, que na década de 60 chamavam de vedetes, meio que ironizando, e hoje chamam de celebridades. parei, fiquei ali olhando e pensando como seria a vida dessas pessoas. algumas delas até devem ter um blog também, como algumas amigas minhas. pensei então: será que não há diferença entre eu e um fábio assunção?

claro que há, não sou estúpido a ponto de ficar mais de 2 segundos nessa pergunta. mas me deixou meio intrigado o fato dele ser um corpo famoso e rico, e eu muito pelo contrário. certamente a minha vida não gira em torno disso, mas realmente me deixou intrigado. foi quando eu não tinha mais o que pensar sobre o fábio, e fui ao ponto de ônibus.

chegando lá vi que era bem pior do que eu tentei pensar. não fui, nem será, nem é, nem tá sendo somente um idiota que sai da banca de revistas pensando em como seria ser um fábio assunção. são várias pessoas.

perguntei pra uma moça: com licença, você gostaria de ser malu mader? ela disse sim. e nem me conhecia.

não adianta. não se trata de covardia, ou de falta de vontade, falta de força, fraqueza. trata-se de o que uns chamam de burrice extrema, ou de alienação do pensamento. matrix mesmo quis falar isso, todo mundo entendeu, e no entanto tudo continua a mesma coisa - haja cinismo.

peço licença então a você, que certamente também quer ser uma celebridade, ou uma macaca de circo, ou um leão na jaula, e me diga se ainda há alguma lógica em ser POP num mundo desses.

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