
Sim, o filme Lady in the water é infantil. A proposta, inclusive, é ser infantil, como a maioria das produções atuais de Hollywood. Até mesmo Star Wars é menos ingênuo que filmes como os de Wes Anderson e de Shyamalan contemporâneos. O mundo das histórias do conto de fadas contra a crueza do mundo real que deprime os mais atenciosos. A proposta é dormir, logo após o conto, tal como as filhas do diretor.
Ele parece sofrer de uma crise criativa - crise essa que dá energias para que ele apareça no filme como um personagem em busca de uma saída simbólica para o que anda acontecendo com a cena cultural. O mundo será invadido por água, e devemos aprender a nadar para não afundarmos como uma pedra, tal como na música de Bob Dylan, The Times They Are A-Changin'.
A crítica não tem chegado perto da produção atualmente. Vemos no filme que o personagem crítico do filme além de errar na profecia, acaba atrapalhando a retomada, a cura da história. Quem, além dos próprios personagens, sem interferência do mundo exterior, pode resolver os mistérios da trama? O primeiro erro do filme (que é bom, ele desperta a magia perdida do cinema): a TV mostra guerras, mas o terror é visto numa fábula.
E Shyamalan tenta ser profético - tal como os escritores e críticos. Alguma criança pode assistir ao filme, diz ele em seu personagem, e mudar efetvamente algo. Tudo bem, se o filme comunica ao público infantil. Mas ele não se decide entre o erotismo e a ingenuidade da personagem story. Como sempre, usa o corpo da atriz Bryce Dallas, sem mostrá-lo, apenas como um objeto bonito. Estratégia publicitária de um novo diretor que se impõe como autor, e tenta pegar as influências do extremo oriente. Infelizmente para sua criatividade, mas não para seu bolso, ele vive nos EUA, trabalha para uma indústria da publicidade de sonhos. Aí a brincadeira fica sem graça.
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