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Rio 40 graus - 1955 - Nelson Pereira dos Santos

Não é por irresponsabilidade, mas por indecência, indecoro, mediocridade de grandes distribuidoras e, ou, produtoras que este filme ainda não foi lançado em DVD. O marco do cinema latino americano para a entrada aos cinemas novos, um cinema neo-realista em pleno Brasil - o filme que fez com que Glauber, Sarraceni, Ruy Guerra e demais tomassem a dianteira da produção cinematográfica no país. Nada disso vale - o que vale são os prêmios, a busca pelo oscar e pelos festivais europeus.

Se soubessem que somente com a história local do próprio cinema que seriam, necessariamente, feitos filmes bons hoje em dia... Mas não sabem. Rio 40 graus impressiona não pelo fato dele ser uma cópia bem feita do neo-realismo, mas por ser um filme que, de uma maneira moderna, intercala narrações distintas sem que ninguém perceba. Uma trama absolutamente difícil de ser montada, hoje, que dirá na década de 50.

Nelson Pereira entra no cinema com um dos, se não o melhor filme de sua carreira. Mas a cadeira cativa que ele recebe dos fãs é de um grande amigo dos melhores cineastas que já passaram pelo Brasil. Uma pena Nelson insistir nos dramas que usam a política como tema, e não tematizar politicamente os dramas. Hoje, à propósito, qualquer Meireles da vida faz filmes "politizados".

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