Pular para o conteúdo principal

A MORTE de uma anarquia

Há pouco tempo eu ficava irritadíssimo (sim, esse blog também tem textos em primeira pessoa, mas nada, absolutamente nada indica que sejam mais verossimilhantes ou verdadeiros que os textos escritos na distante voz da terceira pessoa)...

voltemos - eu ficava irritadíssimo com a idéia de novas bandas encarando o processo artístico de criação como um trabalho. Era um resquício da visão romântica que, na frente com a banda Nirvana, muita gente acabou concordando. É só ver o In Utero ( último disco da banda) pra sacar como tudo era, em outra década de 90 não consumista.

Mas Kurt Cobain morreu com um tiro de espingarda e completamente dopado de heroína. Não quero dizer que ele sirva de lição para que, hoje, nós comecemos a ter outra visão do trabalho artístico, ou mesmo do meio artístico. Mas onde pode dar o radicalismo desenfreado, noiado e insano do rock n´roll adolescente.

Não que a adolescência seja o lugar de impostores, ou de falsos revolucionários... Mas é o lugar de uma anarquia hormonal que, em qualquer que seja a tribo, pode ter a teleologia suicida.

O suicídio poderia até ser um sacrifício de deuses modernos que, insatisfeitos com toda a ilusão midiática que havia pego à contrapelo todo o último fôlego punk, ou militante pop drogado e junky, haviam de matar seus filhos bonitinhos que saem na capa de revistas como Rolling Stone e People.

Sendo que pedras de crack e o povo, hoje, estão mesmo muito mais próximos do que qualquer trabalho mais metódico... Podemos confirmar o instinto romântico radical que ainda perdura em nossas mentes ingênuas - mas muito conscientes.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Don't Look Up - Não olhe pra cima (2021)

Quem não gostou do filme, em particular da história do filme - do enredo -, é um negacionista. Disso não resta mais nenhuma dúvida. Mas, qual será a ordem desse negacionismo que nos cerca? Esse Bolsonaro-trumpismo influente e tão ameaçador que faria, nessa historinha de filme cômico, as democracias e os próprios democratas (se é que há democratas reais no filme) aderirem ao fim do mundo? Sim, se você não percebeu ainda, os negacionistas pretendem o fim do mundo. Seja de um mundo esférico, por uma defesa do mundo plano, seja de um mundo pleno (com E) e vivido pelas multiplicidades de pessoas diferentes. Esses negacionistas que nos atordoam a toda hora na internet, e que um dia foram chamados de HATERS, hoje estão nas famílias mais democráticas de nossas Américas, são negadores tal como aquela negatividade hegeliana que se travestiu ao longo dos tempos com a terminologia "crítica". Está, portanto, aberta a porta dos infernos, a chamada caixa de Pandora, um baú da infelicidade, ...

Memória, de Apichatpong Weeraserhakul

  Uma coisa é certa em filmes de Apichatpong: você não se vê no tempo unicamente cronológico. Esse tempo-outro, mais relatado pela indistinção entre o que chamamos de passado, presente ou futuro, nos coloca em um questionamento direto sobre nossa presença no mundo atual. Memória, seu novo tratado (insisto em não chamar apenas de filme uma tese contínua), procura nos evidenciar aquela indistinção. Mas o tempo indistinto, na memória de uma colonizadora - vivida por Tilda Swinton -, mente o tempo todo. Se realiza na ficção, numa espécie de loucura. Por que isso se mostra dessa maneira? Provavelmente porque a racionalidade, o “colocar tudo nos eixos” é alguma coisa muito pouco elucidativa. Esse uso do racional para mostrar o que queremos, ou o que parece ser o “real” já se encontra há muito tempo em crise. Na memória, nós vemos uma profunda escavação arqueológica. Ela nos coloca em questão, como pessoas viventes em uma narração ocidental. Essa memória é capaz de unir a Tailândia com a ...

A Última Floresta - Luis Bolognesi e Davi Kopenawa

A imersão de Bolognesi nos temas indígenas, em seus últimos filmes, demonstra que quando o cinema dá atenção a isso, algo se revela. Parece ser um caminho sem volta. Uma estrada sem fim. Mostrar, em imagem, os temas indígenas, tem força de revelação, sim - mas também de reativação com discussões antigas. O que faz aquele que se chama de "indígena" um caso particular. Não se fala de uma humanidade, de um humanismo nos termos que antes das colonizações de falou. Estamos diante de uma questão, um dia chamada "indígena". Estamos diante, portanto, de algumas questões que envolvem afetos e sentimentos que nos forjam como pessoas ligadas ao subjetivo indiretamente violentado e assassinado pelo contato interétnico das interiorizações do país. Davi Kopenawa tem sido um dos maiores lutadores, desde os conflitos com garimpeiros nos tempos de Serra Pelada, e também, como não dizer, na briga que ainda se vale de gritos e falsas informações sobre as terras yanomami entre Roraima ...