
Nisso, é preciso não prestar atenção em mensagens evidentes do que se vê: como a trama de um personagem que perde o filho e por causa de problemas familiares e uma “maré de má sorte” atropela um outro pai de família, mais velho, de um bairro de periferia de São Paulo. O que se vê, além da falta de diálogo entre centro da cidade nobre em seu diálogo que às vezes nem mesmo precisa falar, como é o caso da menina linda interpretada por Rosanne Mulholland – que se destacou como uma protagonista dentro da ironia de Reichenbach, em Falsa Loura(2008), é uma falta de entendimento.
Um pai de família, de um lado, fotógrafo desempregado e novo, bem arrumado e que ama seu filho, mata atropelado um velho pai de família conservador e pró-ditadura, machista e decadente. O ponto de encontro entre esses dois mundos é o filho do antigo modo de vida duro e torturante (ou torturador). Esse filho que, herdeiro da falta de compromisso algum com vida nenhuma, nem mesmo com a própria, revida a morte de seu pater família.
Filme barato mas enredo profundo – essa fórmula própria de John Cassavetes, que é visualizada até na câmera na mão longe dos atores, para que se capte o momento de forma mais realista. Ou na intervenção com transeuntes na rua. Sem deixar de querer discutir algo que é da natureza humana de nosso tempo cosmopolita – um problema em se entender o que é a “humanidade”.
Comentários
vou ver esse filme só por causa do seu texto. (ainda tá em cartaz? - não entendo nada de cinema, nêgo, haha)
saudade de conversar com vc.
xêro