
O que isso tem a ver com a pergunta, você me retrucaria...
A montagem era um exagero do discurso em cinema. Era mais uma retórica desnecessária, imagem de mais e vida de menos. Eram páginas a serem juntadas, ou notas que se complementam – a montagem clássica, como diria André Malraux, deve muito ao corte no cinema. Sem cortes, com o plano seqüência, diria Bazin, nós não vemos então somente cinema – nós vemos a realidade nos falando. Bazin luta para que esta arte de entretenimento ganhe mais força diante de nossa vida, assim como o teatro havia conseguido. Nós sentimos os atores no tablado, porque não sentir na tela?
Ao defender a realidade, ou aquilo que imitaria a realidade no cinema, Bazin acaba nos elucidando que a tal sétima arte tem como característica específica revelar o mundo para os leigos, e contemplar a beleza do comum para os mais iniciados na arte. O humanismo do crítico católico é o que fez ele perceber que nada cuja mão do homem toca é coisa, objeto, mas uma derivação ou uma continuação do próprio homem.
Sem Bazin não estaríamos vendo hoje a vida de Godard, ou Truffaut, também Rohmer e Chabrol. Antes, Bazin procurava na L´Esprit a eternidade – na Cahiers Du Cinema, Bazin promove a principal teoria cinematográfica do mundo moderno. Antes dele só tateavam afim de saber o que era o cinema (as teorias francesas de Louis Delluc, Jean Epstein e Germaine Dullac, ou de Jean Mitry, Gilbert Cohen-Séat brigavam mais com a vanguarda Russa do líder Kulechov e Pudovkin – mas a realidade, a verdade, a objetividade da imagem estava no cerne da formulação ainda muito bergsoniana – a fenomenologia em nascimento, assim também a pureza da teoria do real no específico fílmico). Antes, só sabiam que vemos coisas na tela que não percebíamos no mundo. Agora, com Bazin, temos quase a plena consciência de que o cinema revela o real, e nos demonstra os movimentos e as aspirações não somente da natureza – mas da natureza humana.
Algo idealista, diriam os mais politizados da fase consciente que viria pós-68.
Comentários
será que você poderia me esclarecer uma coisa: Tipo, por que o Bazin ficava tão furioso com o Barroco? não entendi MUITO bem esse lance...
Obrigada,
Abç
Marina.