
A década de 70 teve algo de especial, e espacial no ar. Nada se move no front, nem no monte. Ave Gengis Khan – dá a Mutantes o fim subversivo. Ave Sangria. Ave que das cinzas, aliás, da seca, da cerca, do nada, do Sol, do fim do mundo vem algo. Do sangue. Sentimos nossa veia portuguesa em músicas desse disco que você vê aqui do lado na imagem. Em música não existe "se perder".
Não se perde música desse jeito. É alma saindo dos instrumentos – da mísera cor amarela do chão do sertão, e um ar tosco que cheira a poeira com distorções baratas. Tem um lindo vocal e uma linda letra, Ave Sangria. Arcoverde levanta hoje o Cordel do Fogo Encantado pra dizer que há sim um Brasil que ninguém entende.
Mas à Ave Sangria temos um comentário:
Ela pode ser redescoberta hoje. Sabe por quê? Porque passou desapercebida, e o fio condutor até ela ainda existe. Não deve nada a Novos Baianos – seus contemporâneos. Psicodelismo não morre porque a psyqué aceita a viagem surreal das notas inusitadas. Ouve-se uma canção...
Dois navegantes
Aqui estamos juntos ao pôr do sol
Dois navegantes
No mesmo barco
Aqui estamos sós ao pôr do sol andando lado a lado
No mesmo mar
Não deixes a vela apagar
Nem o mastro cair nem a corda prender
Só deixes o vento que solta teus cabelos, espelhos dos meus
Te soprar e soprar em mim
Pra depois deslizar em ti
Deslizar em mim
(ouça o vento)
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