
Desde Hume à Marquês de Sade. Não se entende sem perceber.
Hume categorizou o entendimento - e acho ele mais filósofo que Kant - e talvez até mesmo Kant achasse isso. Sade fez da arte sua obsessão, apenas pra violentar a falsidade da nobreza limpa, benevolente. Hume diria que não se pensa sem entender, já que na empiria nada poderia "ser" se não podemos perceber. Aí está o nó da questão: não se entende sem se saber entender.
Posso dizer então que o saber é algo mais importante que o entender - e que Sade era sim um sábio. Todos o entendiam, porque todos o rejeitavam. Não se rejeita aquilo que não se entende - a não ser que passe pelo nosso crivo, por critérios morais( no fundo) e lógicos ( na superfície) que ficam rondando em nossa cabeça. Sade exprimia, o espectador entendia, e logo rejeitava.
Há quem diga que se rejeita o que não se entende. Discordo completamente. Aquilo que não se entende completamente é sedutor, é sublime, é chamativo. Se sentimos ojeriza por algo é precisamente porque queremos acabar, trucidar, matar aquilo ( ou aquele, como Sade).
Hume nos tentou dizer aquilo o que não entendemos. Tentou colocar-nos em nosso lugar de irracionais, de vez em quando. Eu diria: "se você não entende, procure entender - se não entendemos, então não adianta procurar".
Este ensaio é dedicado a todos os desentendimentos pelo qual você e eu costumamos passar.
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