
Jean Luc Godard, filho de banqueiro suíço, mas filósofo no cinema. Os seus filmes não se comparam, mas seguem uma estética ao fundo. Ele não anda na contra-mão, porque não vê nenhuma mão. Acima de qualquer absurdo, Godard entende o mundo como algo a ser explorado, a ser identificado constantemente – como num ensaio.
A beleza de seus filmes não é frívola, não se desgasta com o tempo. Isso porque, quando usa a frivolidade pop, tenta não se afogar nela como um mercador de informações. Então ele viaja nas possibilidades irreconhecíveis das imagens massificadas, sem trazer o clima reificado das bancas de revistas.
Em Godard sentimos uma ansiedade por conhecer o mundo, por desvendá-lo através das experimentações metalingüísticas, ou metafóricas – através da montagem das imagens e sons. A geografia de Brecht fascina tanto a ele como a quem assiste. São planos seqüência que rodam por todo o cenário ou locação, afim de nos colocar no lugar. São também gags e olhares que nos alertam para o mundo imaginário. Para Godard, a fantasia não passa de uma grande invenção, que pode ser usada para o bem, ou para o mal.
Façamos o seguinte, então: nós, que conhecemos Glauber Rocha (conhecemos?) nos lembremos que ele um dia foi influência desse cineasta francês ácido. E que este um dia tentou assassinar o cinema, mas foi criticado tanto pelos mais radicais anarquistas do situacionismo, quanto pelo mais radical entendedor das imagens do Terceiro Mundo – o próprio Glauber.
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