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ESPETÁCULO #6

O Lula vai que nem cavalo de sete de setembro, cagando e andando e os outros olhando

Antonio José Arruti Baqueiro, um dos líderes do MLST

Houve a invasão ao prédio da Câmara dos deputados em Brasília, capital do país. Aproximadamente 500 pessoas entraram com pedras, britas, paus, pedaços de paralelepípedos e arrasaram a entrada do prédio. As imagens foram mostradas até pela globo, que não é muito chegada a essas insurreições.

Os “baderneiros” do MLST – Movimento de Libertação dos Sem Terra, estão sendo autuados como formadores de quadrilha, corruptores de menores, daí pra baixo ou pra cima. Nas imagens a gente vê famílias inteiras entrando no palácio e quebrando as luminárias e terminais de acesso com pedras. A revolta foi chocante, e os discursos logo começaram a aparecer.

Predominou, tanto na esquerda quanto na direita, a tentativa de manter a ordem no país. A quadrilha de gente pobre (campesinos) armada com pedra e pau seria aquela que desordena. Mas as quadrilhas desveladas pelos relatórios de CPI, e por decisões de promotores públicos aplaudem as falações do tipo “é um absurdo depredarem prédios públicos”; “isso não é democrático – é contra a democracia”... No mínimo, os deputados ladrões engravatados procuram sair das atenções proferindo palavras bonitas diante do absurdo da violência dos campesinos.

Quadrilha contra quadrilha – 500 campesinos violentos contra 50 ladrões de dinheiro público. Corruptores e crianças contra corruptos políticos. Daí se podia tirar uma crise política, só que Lula, sabiamente, não abre a boca pra tomar partido em nenhum dos lados, e sim o contrário. E todos assistem estupefatos a TV criminalizar o movimento raivoso social quase como hediondo, sem saber que tudo faz parte do atual contexto sórdido da política nacional.

Comentários

Eric Blair disse…
A coisa aí está bem pior.
É o descrédito da esquerda. Onde está a suposta superioridade moral?
A dúvida que por aqui nos assalta é a seguinte: Lula é fantoche ou testa de ferro?
Venha o diabo e escolha (pelos vistos, já veio...).
Hasta

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