Pular para o conteúdo principal

a doença do pensar

raciocine comigo:

suponhamos que nós, seres humanos ainda próximos do macaco, homo sapiens, andávamos com as patas dianteiras ( mãos) apoiando o corpo no chão. Éramos mais lentos, mas andávamos quase de quatro patas. Já tínhamos grupos pra nos defender dos felinos maiores. Em um certo dia um de nós tem uma doença estomacal. O estômago dói tanto que ele não consegue andar com as mãos o apoiando, então ele começa a andar em pé.

Este de nós anda em pé para que o estômago não o incomode. Mas esta criatura, andando em pé, causou uma espécie de loucura no grupo. Todos andando abaixado, e este em dois pés, como um que ser que parecia superior - o primeiro nobre, que olhava de cima.

Todos começam a querer imitar por brincadeira, acham engraçado, cheio de graça, algo que parece belo, algo transcendente, que é estranho, mas cativa. Andar sob duas patas, as traseiras. Alguns não conseguem de primeira... os homens então descobrem que a beleza é pra poucos. É algo que vem de uma pessoa atormentada, de um doente, de um displiscente - e é a imitação dos bobos que fazem a verdade da beleza de andar em pé algo que duraria milênios.

Os bobos que brincam com a vida, e não os doentes originais, fazem as coisas se difundirem e serem humanas.

Comentários

de Aguiar disse…
hmmmmm.... gostei desse blog...
da um saque num texto que escrevi no meu... "Acerca da evolucao"
um abraco mauro!

Postagens mais visitadas deste blog

Memória, de Apichatpong Weeraserhakul

  Uma coisa é certa em filmes de Apichatpong: você não se vê no tempo unicamente cronológico. Esse tempo-outro, mais relatado pela indistinção entre o que chamamos de passado, presente ou futuro, nos coloca em um questionamento direto sobre nossa presença no mundo atual. Memória, seu novo tratado (insisto em não chamar apenas de filme uma tese contínua), procura nos evidenciar aquela indistinção. Mas o tempo indistinto, na memória de uma colonizadora - vivida por Tilda Swinton -, mente o tempo todo. Se realiza na ficção, numa espécie de loucura. Por que isso se mostra dessa maneira? Provavelmente porque a racionalidade, o “colocar tudo nos eixos” é alguma coisa muito pouco elucidativa. Esse uso do racional para mostrar o que queremos, ou o que parece ser o “real” já se encontra há muito tempo em crise. Na memória, nós vemos uma profunda escavação arqueológica. Ela nos coloca em questão, como pessoas viventes em uma narração ocidental. Essa memória é capaz de unir a Tailândia com a ...

O Anticristo (2009) - Lars Von Trier

No prefácio de “ Para Além do Bem e do Mal ”, livro do filósofo alemão Friederich Nietzsche, se vê uma rápida alegoria bem característica de sua escrita: “Suponhamos que a verdade seja uma mulher”. Assim toda a filosofia, na berlinda de uma racionalidade, seguiria essa bela moça que não se deixaria tão fácil ser cortejada. Precisaria ser desvelada. Já na sua obra manifesto, bem ao modo do Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels, “O Anticristo”, Nietzsche tenta subverter o cristianismo, acusando-o do niilismo que domina a Europa pré-crise imperialista das grandes guerras. O filósofo demonstra que uma nova interpretação da Grécia antiga, por conseguinte da filosofia antiga, poderia ser o ponto chave de uma inversão de valores (ou, na palavra que ganhou a tradução no Brasil, na transvaloração). A Ciência Gay, ou Gaia Ciência, uma epistemologia da ciência sob o ponto de vista da aura feminina; a genealogia de uma história da moral imperativa kantiana - e máscula; a oposição entre...

Don't Look Up - Não olhe pra cima (2021)

Quem não gostou do filme, em particular da história do filme - do enredo -, é um negacionista. Disso não resta mais nenhuma dúvida. Mas, qual será a ordem desse negacionismo que nos cerca? Esse Bolsonaro-trumpismo influente e tão ameaçador que faria, nessa historinha de filme cômico, as democracias e os próprios democratas (se é que há democratas reais no filme) aderirem ao fim do mundo? Sim, se você não percebeu ainda, os negacionistas pretendem o fim do mundo. Seja de um mundo esférico, por uma defesa do mundo plano, seja de um mundo pleno (com E) e vivido pelas multiplicidades de pessoas diferentes. Esses negacionistas que nos atordoam a toda hora na internet, e que um dia foram chamados de HATERS, hoje estão nas famílias mais democráticas de nossas Américas, são negadores tal como aquela negatividade hegeliana que se travestiu ao longo dos tempos com a terminologia "crítica". Está, portanto, aberta a porta dos infernos, a chamada caixa de Pandora, um baú da infelicidade, ...