
Homenagem que começa pela paixão de um francês por uma cantora, Nora, uma inversão das letras do nome de Rona Hartner, a atriz que faz o papel de Sabina. Os dois, junto ao excepcional realismo fantástico que brilhava na figura de Izidor que encontra Stephane na estrada e o leva para a tribo, estão, posso dizer, numa das mais convincentes interpretações do cinema.
É um realismo que se aproxima do documentário. Vemos um filme muito apaixonante, muito forte, denso, trágico, porém realista. Uma façanha, já que no realismo só conseguimos reconhecer um melodrama novelesco que mimetiza a realidade. No caso desse realismo, que não tem muito a ver com o literário, é do prório cinema, como um dia disse Bazin, nós percebemos o mundo de maneira que não percebíamos antes. É um esquema antigo, do neo realismo italiano que leva o espetáculo do mundo às telas.
Nessa de nos levar ao mundo dos ciganos percebemos que o filme faz uma crítica dura a nós próprios. Porque temos um pouco daquilo que ignoramos no povo da romania, os gitanos. Nós, gadjos, precisamos entender mais esses bárbaros para então sabermos que nosso sistema desumano, inumano, com esquemas e estruturas criadas como jaulas cheias de grades é que deve nos parecer estranho. Não a vida apaixonada da música e interpretação cigana.
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