
E sabemos que o cinema é uma ramificação da imprensa, uma mídia que divulga as inovações, as cores e as texturas das novas perspectivas da técnica. Kubrick que fale por mim, com suas invenções que nos deram o avanço necessário para que tivéssemos, por exemplo, um travelling sem tremeliques e sem trilhos dispendiosos com seu steady cam.
Seria então assim para onde corre o rio. As águas levam sempre para o mar do futuro. Não do futurismo, não é estética nem ética - é técnica, já foi dito aqui. A ciência avança, cria, recria, evolui - isso é claro. Mais claro que qualquer pensamento criado por ela própria. Estou vendo-a como um sujeito, ou uma instituição... mas ela é muito mais do que isso. São paradigmas que a sustentam, e que nos põem em certas perspectivas.
Herzog em todos os seus filmes cita a ciência. Seja direta ou indiretamente. Neste seu último filme, The Wild Blue Yonder, até onde eu saiba ainda não lançado no Brasil, a crítica romântica dá lugar à fantasia estética que a técnica e os símbolos algébricos querem deixar de lado. Fazendo isso eles deixam também um questionamento ético a respeito desse uso indiscriminado dos símbolos via o progresso.
Bem, vemos no filme como o poder, a potência humana é destrutiva. Através da poesia, tão admirada por Deleuze em Herzog, o diretor nos mostra uma ciência ingênua dentro de um conto de fadas que nos expõe como a força de instituições como a CIA e a NASA possue por trás um empurrão que vem da guerra fria, um império a ser consolidado no universo (essa é a meta). Um império humano, talvez. E, falando no filósofo francês, vemos o platô primitivo como uma imagem da Terra milhares de anos após a viagem dos homens a Andrômeda - um planeta desabitado.
Nada sobrou, nada sobra de uma procura caótica pela evolução - aquela evidenciada por Herzog numa tentativa de nos diferenciar da luta pela sobrevivência através da ambição natural. E, sim, a ciência faz parte da natureza, segundo Herzog - é caótica e violenta.
Comentários