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Idi i smotri (Come and See) - 1985 - Elem Klimov

O fascismo, como diria Adorno, está presente quando menos se fala nele. O diretor húngaro Elem Klimov, neste seu último filme, não só mostra uma visão perversa e trágica do ser humano e da guerra, ainda que com uma sutileza do chiste contra o instinto de potência dos Alemães, mas também massacra qualquer perspectiva que perca seu tempo achando que Steven Spielberg consegue realmente falar sobre guerra.

A guerra não motiva platéias. Ela é o terror, o horror, como em Apocalipse Now de Coppola, citando Shakespeare. A morte por ideais que fagocitam a vida alheia não nos assusta - nos tira da realidade do compartilhamento humano. Assassinato no cinema é, além de uma estratégia podre de angariar espectadores, uma amostragem de como se leva em conta as relações que temos com próximos. Em Vá e Veja, título em português, a segunda guerra mundial é totalizada nesse terror inumano.

Assim chegamos ao ponto de vermos um épico de guerra, tal como a indústria americana usa, contra os épicos de guerra. E, como foi feito em 1985, ainda estamos sob uma guerra fria, ainda que congelada de tanta frieza. O filme parece querer dar uma razão ao comunismo, mas não faria sentido essa afirmação assim tão rapidamente. O que é principal é o ataque ao fascismo, o verdadeiro terrorismo que nos persegue infinitamente em nossos tempos pós-modernos.

O filme é a história de um garoto que é integrado por vontade própria ao exército para lutar por sua pátria, a Rússia. Os inimigos avançam e levam a hecatombe ao pequeno herói, que presencia todos os males que nem mesmo imaginava, e envelhece precocemente em seu espírito. A morte é expressada não somente com corpos inanimados... E a função da tragédia é trazê-la à vida para que entendamos qual é nossa maldade inerente a ser tolhida psicologicamente.

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