
Isso porque o filme Zodiac é um trhiler, um noir feito à luz do dia, tal como alguns undergrounds gostavam de fazer na década de 70. Esse novo modelo do thriler, em Fincher, é já conhecido em Se7en. A diferença entre os dois talvez fique na atuação, que havia sido excepcional no Se7en, e neste vemos, talvez, uma experimentação dos atores.
Mais parece um filme de transição. A história de Sam, um assassino da California recontada por outros filmes como o de Spike Lee, O Verão de Sam, retorna com a iluminação midiática que há em cima de qualquer fato sensacionalista. E, porque não, o próprio filme é levado por essa arapuca, já que nos identificamos com qualquer pessoa que quer realmente desvendar o mistério criado em cima do tal Zodiac.
Só uma marca de relógio, uma marca que chega aos jornais, que se vê na TV, que é criada a cada novas mensagens que chegam nos tablóides - uma marca da subversão insana de alguns norte-americanos. Essa nação sabe como ninguém criar, hoje em cia, assassinos midiáticos - Charlie Manson, Osama Bin Laden, o próprio Sam... Muito se deve ao tal mecanismo de identificação, como Fincher nos mostra em seu discurso.
Esse mecanismo nos faz acreditar que somos quem procuramos. Percebam, ao ver o filme, como todos que o procuram falam, ao ler seus códigos, em primeira pessoa, o surreal incompreensível, misterioso do assassino. O próprio cartunista, ingênuo como a média americana, quase perde a família aficcionado pelo serial killer - apenas para escrever um livro desvendando o caso que a polícia esqueceu.
A estratégia de mercado, do índice de audiência, da procura por espectadores, da publicidade chega à subversão criminosa. Agora a indústria cinematográfica propagandeia essa subversão a todo o mundo - numa discussão promovida a respeito das mídias, ou numa ingênua procura recíproca de espectadores e anti-heróis misteriosos e assassinos? Bem... não vi discussões sobre o filme por aí.
Comentários