
Sendo algo que não existe, o tempo se reconstitui no nosso presente atual - como se algo fosse completamente anacrônico, distante de algo que um dia se chamou de realidade da impressão cinematográfica. O caráter midiático do filme poderia ser associado a um estilo novelesco, da própria Globo, não fosse a presença de um ator estrangeiro que destoa esse jeito melodramático de se contar casos de família. Vincent Cassel é turista, nesse melodrama que se vê forçado pela personagem principal.
Filipa (Laura Neiva), é o seu nome. Uma garota de 14 anos que parece entrar na era adulta, e vê em sua mãe uma decadência que não quer para si. Deborah Bloch, no papel da mulher do escritor francês, o turista, tem o nome de Clarice. A suposição de que Filipa venha a tomar o lugar de sua mãe é quase mais do que potencial. O turista e escritor Mathias não está muito preocupado com os dramas que se encenam - ele brinca com tudo como um arlequim. Mas a situação dramática envolve a todos, deixando pra trás toda a galhofa, que era evidente em Heitor Dhalia desde seu primeiro longa, parecendo uma concessão ad nauseum tanto pela pressão do cinema popular comercial que se tenta imprimir nessas épocas no Brasil, como pela maneira mais fácil de se estruturar um roteiro ( ou mesmo uma decupagem) de um drama familiar.
Difícil sair público de um filme introspectivo, e com muitas travas no que se assiste. Travas como - interpretação tímida (excetuando a de Cassel, e em grande parte de Deborah - que bem se encaixa em comédias, mas nos deixa a desejar uma postura mais convincente no drama), fluidez na trama, e finalização do todo. Bem, é realmente difícil fazer melodrama por aqui sem sair do tom de novela... Se a procura é pelo cinema independente norte americano, pode crer que pouca coisa serve de adaptação - eles são mais introspectivos que nossa veia latina. Por outro lado, se a procura é o cinema francês, outra decupagem mais ousada e enfática deveria ser o ponto.
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