
Todo garoto de 8 anos de idade sabe que Wall Street é quem domina o mercado mundial com agentes que conspiram por entre os celulares da veloz vida pós-moderna. Mas o garoto que tinha 8 anos, na época do primeiro episódio do filme Wall Street, de Oliver Stone, 1987, não dava a mínima para essa liquidação de imagens de New York - que, diga-se de passagem, àquela época tinha sido um furacão para uma mente mais acomodada. Digo isso porque o primeiro filme é uma avalanche de informações, em um universo muito pouco afeito ao didatismo, e terminantemente pronto para avançar em uma crítica densa ao tipo de especulação da economia regulada pelo setor financeiro. De tanta informação que dava, o filme chegou, apesar da crítica severa feita ao herói Gordon Gekko (um nome fashion, pelos rumores pops da década de 80), ao patamar de grande obra explicativa do mundo real de Wall Street.
Bem... ao compararmos o primeiro filme com este que acaba de entrar no cinema, percebemos o quanto aquele estava distante da tal realidade. O segundo, sim, apesar do melodrama que liga a trama, é mais realista - trata mais da realidade humana daquele universo poderoso. Quer dizer: o poder ali não é só decidido pela ganância de um herói à la Gekko. É discutido por uma assembléia que, segundo o próprio filme, é composta por uma elite "pensante" do Capital. Gekko, aliás, havia sido denunciado por essa elite, já que ele não tinha pudores algum em se mostrar ganancioso e fútil - algo abominável pelas famílias mais tradicionais.
Uma rápida nota ao brilhante trabalho do novo aprendiz do herói, interpretado pelo jovem ator Shia Labeouf. O velho aprendiz do primeiro filme, Charlie Sheen, volta neste segundo para conversar com seu velho tutor. Ironia do destino, ou não, Michael Douglas desdenha toda a ridícula pomposidade do antigo parceiro, e se volta para a nova juventude observadora, atenta às "novas bolhas" do mercado. Ao fim, como se vê, não há crítica que dê fôlego - todos estão dentro desse campo quase natural da competição e da atividade. A inteligência americana estaria, portanto, nisso, mesmo depois de muita crise sistêmica, porque novos quadros pensantes dão às estruturas rígidas do poder um escape necessário para sua plena continuação.
Ficamos pensando então. O capitalismo é mesmo aquela avalanche de cheques astronômicos de 100 milhões de US$, para novas alternativas de empresas? O extremo oriente vai completar esse sistema com sua corrida pelo tempo perdido de algumas décadas? tudo isso fica na multidão de novas informações jogadas aqui mesmo, na internet, por blogs como este aqui que você está, agora, lendo. Nada muda, a não ser para que tudo continue o mesmo.
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abraço