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Sérgio Bianchi prepara a cena |
Uma interpretação possível pode ser a própria inabilidade com a vida em comunidade do subúrbio, diante de uma paisagem de violência constante e radical. Cidadania? discurso falho já expresso em "Quanto vale ou é por quilo?", uma solução apontada pelo brechtianismo radical: a violência contra organizações que se utilizam da pobreza para enriquecer. A mesma violência que em Os Inquilinos provoca o terror constante da família em busca de paz, ou ascensão social perto da favela, e que não parece encher os olhos de quem procura salvação nesta seara.
Inabilidade que não tem culpados. É o realismo. Naturalismo, procurado pela narrativa mansa. Aquilo é tão verídico, nos diz o filme, quanto o próprio Datena do Brasil Urgente. Estupro de criança, trabalho semi-escravo, ônibus queimado nas ruas, tudo isso é... natural. Tão natural quanto um cachorro que demarca território para que a selvageria de outro território não se aproxime. Tão natural quanto o ciúme do herói inútil diante de um novo herói armado. A psicologia é sublime, quando não parece devanear, ou delirar dentro do caos aparente da periferia.
A história lembra, ao longe, Polanski (The teanants, 1974; Rosemary's baby, 1968), mais ao longe ainda Hitchcock, com a já tão discutida ironia, crueldade do autor. Mas Bianchi insiste numa narrativa fincada na realidade aterrorizante das favelas, citando, em entrevista, a propósito, sua distância diante do cinema colonizador norte-americano. Com certeza, Os Inquilinos é uma obra que põe um mastro, um marco diante do que se tenta fazer no cinema atualmente no Brasil. Propostas à vista: envolver o espectador no clima que toma conta da maioria do antes chamado "povo brasileiro": o medo.
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