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o "rato" se torna mercadoria em Cronenberg |
Representado pelo jovem ator Robert Pattinson, este que, certas vezes, parece não querer atuar - uma qualidade que rememora um ponto alto alcançado por Pierre Clémenti, por exemplo -, o protagonista de Cosmópolis quer apenas cortar o cabelo. "Drama" joyceano, do livro de DeLillo. Ao lado de toda sua saga rumo à periferia da cidade, local onde fica seu barbeiro de infância, uma série de acontecimentos inúteis tangenciam sua rotina. A grande fatia do tempo fílmico é gravada dentro de uma limousine equipada com artefatos da nova aristocracia tecnológica.
Esse homem sem qualidades, inútil, homem da multidão, é um grande magnata de 28 anos. Vive em New York, e sorri, ingenuamente, dos ratos e militantes radicais anti-capitalistas que cercam seu grande carro. Ele vai de encontro à sua realidade exterior, do início ao final.
Obviamente o estilo de Cronenberg choca, como chocava em seus primeiros filmes absolutamente críticos de um mundo midiatizado. Hoje, no chamado capitalismo cibernético, temos uma noção básica dessa alienação provocada pela falta de inserção no digital - a falta de domínio, melhor dizendo, nesse mundo virtual que exclui mais que inclui. Que tipo de rumo é visionado pelo herói? O mercado financeiro e sua aposta em uma moeda crescente, a chinesa. Nada mais virtual que essa aposta.
Num universo onde o capital comanda, as pessoas tendem a ser zumbis manipulados, como os atores em Cosmópolis. O filme parece ser uma experiência rápida, corrida, mas enfática em sua imagem e som. Creio que não existe, no cinema americano, um autor que se aproxime de Cronenberg quando o assunto é diagnosticar as influências psicológicas, psiquiátricas, das mídias, dos meios - das telas (screens) e das moedas.
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