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O Veneno Está na Mesa 2

Pulamos o primeiro documentário para este segundo episódio por duas razões evidentes.  1a) Sílvio Tendler, o diretor, apresenta o absurdo que é a aceitação universal no Brasil de agrotóxicos através de uma política e de economias à parte da cidadania, muito comum no país. Mas essa produção de 2011, militando contra uma dominação de empresas como a Basf, Monsanto, a prática já disseminada de transgênicos e o uso indiscriminado de pesticidas, atira diretamente na bancada do congresso que desvia as questões - os ruralistas. Dessa maneira assistimos a um ótimo filme político. 2a) O documentário apresenta as questões, introduz, dá ao espectador o que se espera desse primeiro contato: o terror. Ainda sem perspectivas de uma política contrária, o primeiro filme ataca mais que propõe. Nada de errado na tática, mas o tom, mesmo o tratamento do filme, sua "diagramação"geral (que envolve tanto as cartelas, a arte gráfica, e mesmo a edição) ainda parecem ter o motivo unicamente ...

nymph()maniac, nymphomaniac, ninfomania, Lars Von Trier

Opressões de gênero à parte por enquanto, a contemplação do sexo como voyeurismo parte do princípio de que há espectadores no cinema que gostam de ver nossa espécie copulando. O que não gostariam tanto, talvez, de ver uma tese esquisita sobre Bach, um rápido ensaio sobre Edgard Allan Poe, citações diretas e pedagógicas sobre pescaria em rios nórdicos, e, quem sabe, sobre a prostituição "por opção" de um caso doentio em uma sociedade que não concebe o sexo como algo, ainda, fora de tabus. Lars Von Trier é conhecido por ser rígido em método de filmagem. Bom para o cinema atual. Sua fama é de ser "polêmico". Nada que chegue próximo de um Carlos Reygadas, ou de um Sérgio Bianchi (pra citar um dos nossos). Lars prefere, em Nynphomaniac, partir duma comédia cotidiana. Cômico, sim, mas não sem uma certa acidez que corta crenças em quem assiste. Apesar do roteiro aparentemente ter sido mutilado - e há quem diga que pela produção, outros pela falta de cuidado do diret...

Geraldo Vandré "assassinado"

O louco exilado, paraibano, que hoje vive exaltando as forças armadas e a FAB. Pois, quem não entende o que o Brasil se tornou após a ditadura fica na bolha do delírio, sem dúvidas - pro lado do "bem" ou pro lado do "mal". Mas quem estava lá numa luta imaginária (artística), naquela época, era o louco em busca de liberdade. Um jovem artista que, segundo os anais, deixou sua carreira pela luta de sua sobrevivência medíocre sendo funcionário público brasileiro. Taí o que era, e é ser subdesenvolvido: lutar pelo seu mínimo. Ficou pra história a estratégica tropicália, e morreu lentamente o latinoamericanismo.
Você já teve a impressão de que sua imagem é completamente diferente na fotografia? pois é, a máquina fotográfica é um tipo de percepção. Já teve a impressão de ouvir bem mais com um fone de ouvido e um microfone? mais um instrumento de percepção. Já ouviu alguém mais velho dizer que está perdendo a visão e a audição? falhas na nossa máquina. Já pensou em falar com alguém que não existe pela internet? ou melhor, com alguém que existe? Chega de perguntas. Não há um só espaço que não seja empreendido, cunhado, abraçado e manipulado sem nossa "percepção". Percorrer a percepção é assunto do que temos em ordem atualmente: o que estamos vivendo, e como, com esses iphones, óculos, carros e artefatos tecnológicos da mobilidade urbana?

Annie Hall (Woody Allen, 1978)

A história também tem suas ironias loucas. Woody Allen vence como melhor diretor e com melhor filme com Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 1978), competindo com Steven Spielberg e George Lucas. E o melhor - não vai buscar a estatueta do Oscar, anunciado por King Vidor. Estava ocupado tocando com sua banda. O melhor filme de Woody Allen. Ao menos o final, um dos mais tristes da história do cinema, ao mesmo tempo um dos mais sinceros, fica pra todos aqueles que acreditam num relacionamento entre homem e mulher que faça algum sentido. http://viooz.co/movies/69-annie-hall-1977.html

Cloud Atlas - 2012

Cloud Atlas (chamado de A Viagem para os analfabetos daqui) tem recebido as piores críticas em revistas renomadas, do tipo Veja. Não só por isso vale muito a pena assistir. Os irmãos Wachowski e Tom Tykwer tão na atmosfera "new age", a revolução que Hollywood aceita nos seus filmes. Anacrônico, mas vivo. Sem contar a influência direta de Godard, ainda que, claro, pro lado da linearidade e adaptação ao mainstream. Mais que em Tarantino. No filme Cloud Atlas a gente percebe como o cinema americano é ridículo na persistente encenação melodramática. E como o povo analfabeto adora esse gênero, enchendo as salas pra sentir o lado auto-ajuda da história. Não é perda de tempo - há muito o que se tirar do experimento que os 3 diretores fazem. Um dos elementos é a contradição entre conformação dos mais fracos e persistência política de pessoas que dominam, mas são esclarecidas. Deixando de lado toda a bobagem de uma política afirmativa norte-americana clássica na politização de umbigo ...