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Lula - Filho do Brasil - Fábio Barreto

Uma coisa, dentre várias, que o movimento do Cinema Novo da década de 60 ensinou às gerações posteriores, foi fazer filmes com o olhar de um estrangeiro que vê os temas do Brasil. Sendo assim, até aqueles milhares de estrangeiros que vivem no país, por “opção” ou por contingência, gostariam dos filmes que veriam nas telas de cinema daqui. Desde que se entende essa tabuada, se cria cinema com intenções industriais que devem ser levadas a sério. Lula, Filho do Brasil , é filme necessário para estrangeiros, “estrangeiros”, e nativos. Filme que centra em personagem, diga-se de passagem, e segue esse herói até o fim nas regras clássicas, chega a ser regra nessa crença da industrialização do cinema. Não é preciso chamar a atenção pra isso, ou para uma publicidade infantil proporcionada conscientemente por quadros artísticos que não saíram da regra populista do primeiro Cinema Novo. Mas, sim, é preciso chamar a atenção para o fato que salta aos olhos dos mais inocentes – sem o personagem rea...

Avatar - 2009 - James Cameron

Jake e Grace. Dois personagens que voltam do grande sucesso de bilheterias em formato bem conhecido de “tragédias” no ponto certo a serem consumidas por uma grande massa de espectadores do mundo inteiro. James Cameron , e uma grande equipe que o auxilia na construção de uma invenção histórica, em Titanic , e construção alienígena, em Avatar , sabem a fórmula de romances impossíveis, e de imensas catástrofes proporcionadas pela construção e edificação humanas. Sem contar que a realização possui uma troca de olhares com uma outra produção em animação do extremo oriente. De um lado o imenso navio real, do outro a imensa exploração “modernizante” de uma floresta fantasiosa. Jack (o Jake), no filme atual Avatar, pode ser chamado de um novo Neo, de Matrix – mas com uma debilitação própria de heróis modernos. O herói inicia sua aventura tomando lugar do irmão gêmeo que morre na batalha da conquista do planeta Pandora, o “novo mundo” com habitantes desconhecidos e, provavelmente primitivos, ...

Top 10 de 2009, pela Cahiers du Cinéma

1. Les Herbes folles , Alain Resnais 2. Vincere , Marco Bellochio 3. Inglourious Basterds , Quentin Tarantino 4. Gran Torino , Clint Eastwood 5. Singularités d’une jeune fille blonde , Manoel de Oliveira 6. Tetro , de Francis Ford Coppola 7. Démineurs , Kathryn Bigelow 8. Le Roi de l’évasion , Alain Guiraudie 9. Tokyo Sonata , Kiyoshi Kurosawa 10. Hadewijch , Bruno Dumont A revista, que tem seu endereço eletrônico aqui , também publicou a lista dos dez melhores filmes da primeira década do século XXI, ou, do Terceiro Milênio. 1. Mulholland Drive , David Lynch 2. Elephant , Gus Van Sant 3. Tropical Malady , Apichatpong Weerasethakul 4. The Host , Bong Joon-ho 5. A History of Violence , David Cronenberg 6. La Graine et le mulet , Abdellatif Kechiche 7. A l’ouest des rails , Wang Bing 8. La guerre des mondes , Steven Spielberg 9. Le Nouveau monde , Terrence Malick 10. Ten , Abbas Kiarostami
São Paulo é menos Brasil que Estados Unidos, só pra citar uma das almas generais da cidade que veio de fora. É menos Brasil e mais Roma, mais Itália, mais império, mais raiva. Dos anos 20 pra cá, essa pequena cidade cultural teve sua honra despejada em todo o país, demonstrando aos mais incrédulos o quanto é possível, num degrau bastante avançado do capitalismo mundial, celebrar uma ansiedade por belas vidas bem ajustadas. Esse tempo todo, nada de São Paulo saiu daqui. Neste tempo todo, nada é menos visível que algo que chamaríamos de cultura paulista, ou paulistana. Sabe por quê? Porque nada em São Paulo é feito aqui mesmo: tudo é importado e ajustado ao status subdesenvolvido das estruturas pensantes brasileiras. Isso levando-se em conta que existem essas estruturas pensantes, exemplificando instituições e organizações sociais com intenções fortes de viver uma vida melhor que a que nos é oferecida.

Uma escritora "beatnicka" nas bancas sem roupa, e sem cartaz

Fernanda Young não está lá muito para uma Silvia Plath, ou Hilda Hilst, muito menos para a musa, ou museu, agora só em imagem, Dercy Gonçalves - ela está para a globo, na estupenda globalização dos malfadados normais e em seriados sem graça. Ela nua, na revista , mostra uma coragem sem sal, tipo suicide girls . Pin Up paulistana da rua Augusta (parte nobre e burguesa). Seria esse o limite da fortaleza feminina pós- novela das 8? Esse o limite simulado de uma imposição, de um novo lugar da mulher na sociedade machista e provinciana cristã brasileira? Quem é de outro gênero, que se cale agora.

Alga Doce - Andrej Wajda

O misto de um gênero documentário com a ficção vem de muito tempo - e se renova mais a cada dia. Mas muito tempo mesmo, já que o teatro é, quase em sua essência, essa mistura. Se a realidade influencia na ficção do ecrã, tal como um dia o teatro influenciou, então cinema e teatro não possuem distinções claras. Um erro pensar assim. Cinema é uma história, mas também uma História. O espectador de cinema é como o de TV, só que mais atento, afinal pagou para perder aproximadamente 2 horas de sua vida na frente de um telão. Lá naquele buraco, naquela caverna escura, o espectador visualiza um mundo presente, levado pela narrativa e pela crença fundamental de que o que ele assiste ali se passa como se estivesse passando pela primeira vez. O "ao vivo" da TV surge com essa credibilidade que tem a impressão de realidade. Alga Doce, último filme de Andrej Wadja, mistura realidade e realidade criada. Mas o misto é sem problematizações maiores. Ali, quem assiste pensa: estou vendo um film...

Anthropophagie c´est cinema brasileiro?

Gravura tirada do livro de Hans Staden : Warhaftig Historia und beschreibung eyner Landtschafft der Wilden Seria a antropofagia uma zombaria do homem que viria da cultura de cavalaria? Poderia ser. Como Darcy Ribeiro diria - o índio é um zombador. Se assim a gente concorda, pelo menos nisso, a antropofagia que Oswald teria inventado de uma cultura antiga brasileira, ou, pré-brasileira, a suposta convicção de que essa cultura seria a única forte - neste ambiente de melancolia e tristeza que quer virar Portugal, um imenso Portugal, um Império Colonial... Se assim foi, o cinema a partir do início da década de 70 teve essa "nova revisão crítica". Mais postagens virão a respeito dessa "força" antropofágica.