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A Fita Branca - Michael Haneke - 2009

O que aparenta, em uma pequena aldeia, não é. Essa pequena aldeia, no longo tratado sociológico e artístico (porque não há uma palavra que una a lógica e a arte? arriscaria algo como... artilógico) de Michael Haneke, é uma condensação do que acontece em qualquer meio social. Ainda que o narrador da história, o personagem do professor da aldeia, diga logo no início do filme que aquilo que ele está para narrar pode ser mentira, todos se vêem no impasse de acreditar naquilo que ele nos conduz pela sua amarração de argumentos. Fato é, que, Fita Branca passa longe de uma ingenuidade, de uma observação distante, de um olhar fatídico, tal como qualquer análise etnográfica faria. O filme é uma arte de perceber as entrelinhas de um agrupamento humano. E se lembrarmos que, não por gratuidade, não vemos um documentário, entramos na imensidão ficcional, na mente abismal criadora de um cineasta, que consegue nos convencer com sua precisão que o cinema ainda passa realidade - na época do exagero del...

Ainda sobre Lula

É realmente uma pena para quem tem certa relação com a política nacional, relação não afetiva, mas de atenção, ver o fracasso do filme Lula - filho do Brasil. Não que ele tenha tido sua relevância dentro do contexto cinematográfico. Mas por ele NÃO ter tido essa importância. Em outras palavras, o filme mais caro da cinematografia brasileira, com aproximadamente 20 milhões de reais gastos em sua feitura, é apenas mais um filme. Mais um filme mal digerido, mal arranjado, mal-feito, em linhas gerais. Quem foi assistir a este desgostoso malogrado, saiu da sala de cinema achando que aqui não há condições práticas de se fazer um bom cinema - a não ser que ele tenha sua veia cômica, gênero já tão explorado pelos programas da Rede Globo de TV. Saiu dizendo que Lula não merecia tal visibilidade, e coisas desse nível. Sim, Lula não é personagem de filme. É o presidente. E não é também garoto propaganda da incapacidade. Pelo que se vê, seu carisma vem de seu estereótipo canastrão boa vida. Um gra...

Lula - Filho do Brasil - Fábio Barreto

Uma coisa, dentre várias, que o movimento do Cinema Novo da década de 60 ensinou às gerações posteriores, foi fazer filmes com o olhar de um estrangeiro que vê os temas do Brasil. Sendo assim, até aqueles milhares de estrangeiros que vivem no país, por “opção” ou por contingência, gostariam dos filmes que veriam nas telas de cinema daqui. Desde que se entende essa tabuada, se cria cinema com intenções industriais que devem ser levadas a sério. Lula, Filho do Brasil , é filme necessário para estrangeiros, “estrangeiros”, e nativos. Filme que centra em personagem, diga-se de passagem, e segue esse herói até o fim nas regras clássicas, chega a ser regra nessa crença da industrialização do cinema. Não é preciso chamar a atenção pra isso, ou para uma publicidade infantil proporcionada conscientemente por quadros artísticos que não saíram da regra populista do primeiro Cinema Novo. Mas, sim, é preciso chamar a atenção para o fato que salta aos olhos dos mais inocentes – sem o personagem rea...

Avatar - 2009 - James Cameron

Jake e Grace. Dois personagens que voltam do grande sucesso de bilheterias em formato bem conhecido de “tragédias” no ponto certo a serem consumidas por uma grande massa de espectadores do mundo inteiro. James Cameron , e uma grande equipe que o auxilia na construção de uma invenção histórica, em Titanic , e construção alienígena, em Avatar , sabem a fórmula de romances impossíveis, e de imensas catástrofes proporcionadas pela construção e edificação humanas. Sem contar que a realização possui uma troca de olhares com uma outra produção em animação do extremo oriente. De um lado o imenso navio real, do outro a imensa exploração “modernizante” de uma floresta fantasiosa. Jack (o Jake), no filme atual Avatar, pode ser chamado de um novo Neo, de Matrix – mas com uma debilitação própria de heróis modernos. O herói inicia sua aventura tomando lugar do irmão gêmeo que morre na batalha da conquista do planeta Pandora, o “novo mundo” com habitantes desconhecidos e, provavelmente primitivos, ...

Top 10 de 2009, pela Cahiers du Cinéma

1. Les Herbes folles , Alain Resnais 2. Vincere , Marco Bellochio 3. Inglourious Basterds , Quentin Tarantino 4. Gran Torino , Clint Eastwood 5. Singularités d’une jeune fille blonde , Manoel de Oliveira 6. Tetro , de Francis Ford Coppola 7. Démineurs , Kathryn Bigelow 8. Le Roi de l’évasion , Alain Guiraudie 9. Tokyo Sonata , Kiyoshi Kurosawa 10. Hadewijch , Bruno Dumont A revista, que tem seu endereço eletrônico aqui , também publicou a lista dos dez melhores filmes da primeira década do século XXI, ou, do Terceiro Milênio. 1. Mulholland Drive , David Lynch 2. Elephant , Gus Van Sant 3. Tropical Malady , Apichatpong Weerasethakul 4. The Host , Bong Joon-ho 5. A History of Violence , David Cronenberg 6. La Graine et le mulet , Abdellatif Kechiche 7. A l’ouest des rails , Wang Bing 8. La guerre des mondes , Steven Spielberg 9. Le Nouveau monde , Terrence Malick 10. Ten , Abbas Kiarostami
São Paulo é menos Brasil que Estados Unidos, só pra citar uma das almas generais da cidade que veio de fora. É menos Brasil e mais Roma, mais Itália, mais império, mais raiva. Dos anos 20 pra cá, essa pequena cidade cultural teve sua honra despejada em todo o país, demonstrando aos mais incrédulos o quanto é possível, num degrau bastante avançado do capitalismo mundial, celebrar uma ansiedade por belas vidas bem ajustadas. Esse tempo todo, nada de São Paulo saiu daqui. Neste tempo todo, nada é menos visível que algo que chamaríamos de cultura paulista, ou paulistana. Sabe por quê? Porque nada em São Paulo é feito aqui mesmo: tudo é importado e ajustado ao status subdesenvolvido das estruturas pensantes brasileiras. Isso levando-se em conta que existem essas estruturas pensantes, exemplificando instituições e organizações sociais com intenções fortes de viver uma vida melhor que a que nos é oferecida.

Uma escritora "beatnicka" nas bancas sem roupa, e sem cartaz

Fernanda Young não está lá muito para uma Silvia Plath, ou Hilda Hilst, muito menos para a musa, ou museu, agora só em imagem, Dercy Gonçalves - ela está para a globo, na estupenda globalização dos malfadados normais e em seriados sem graça. Ela nua, na revista , mostra uma coragem sem sal, tipo suicide girls . Pin Up paulistana da rua Augusta (parte nobre e burguesa). Seria esse o limite da fortaleza feminina pós- novela das 8? Esse o limite simulado de uma imposição, de um novo lugar da mulher na sociedade machista e provinciana cristã brasileira? Quem é de outro gênero, que se cale agora.