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A leve insustentabilidade do ser

Não é pedra que a gente pensa que nos cerca. É muito mais ódio, competição. Não é concreto o que nos abraça. É a falsidade do ser morto, sem vida, e que quer sobre todos os acontecimentos tirar nossa vida também. Não são máquinas o que nos ajuda. Nada tem nos ajudado, porque as máquinas vivem sozinhas. Se em um momento elas precisaram da gente, hoje elas estão bem sem nossa ação. Não é a vida que nos chama, mas a ação. Não é aquilo que sempre parece ser. Não há mais o ser. Não existe o menor cabimento eu continuar escrevendo sob essa via. Se tudo é morto, então porque continuar? Ou seja: porque não morrer do mesmo jeito que todos morrem: aos poucos na exploração da alienação de poderes, no cortar de nossos pulsos pra que não usemos nossas mãos e não despejemos sangue na salada e nos bigodes que ostentam probidade. Porque não se contentar com a cama, a barriga que vem crescendo, os cabelos que vêm caindo, se contentar com a doçura da preguiça, da calma do conformismo confortável, do qua...

O que vale o poder

A Itália acaba de derrotar a Austrália na copa do mundo da Alemanha. Durante todo o jogo os amarelos da Austrália dominavam o jogo, e o time da azurra até sentia dificuldades pra triscar na bola. O jogo ia pra prorrogação, quando o árbitro marca um pênalti pra Itália no último segundo do segundo tempo. Observações: 1- Nenhum australiano reclamou. Nem na torcida, nem no campo. Isto se deve, acho eu, à força que tem o time da itália em relação ao do time da Oceania. O time azul é campeão da copa do mundo, e cabeça de chave. 2- Se a Austrália ganhasse, essa zebra seria algo difícil de se segurar. Times pequenos que sobem na copa são, sim, sempre muito perigosos. 3 - A Itália tinha que ganhar, porque ela é mais poderosa que a Austrália em copas. Nisto se vê que a submissão dos australianos no jogo, junto à perplexidade, ajuda à enrrolação do mundial, e ao sentimento malandro da máfia azurra. O pênalti não existiu - fato, que todos os habitantes do mundo que assistiram ao jogo viram. E nenh...

Confissões de um homem insano o suficiente para viver com bestas

título de um texto de Charles Bukowski - texto humildemente dedicado a ele. I Era como carregar 12 quilos de carne por 100 metros viver sem poder reclamar de nada sem ser acertado com um olhar cerrado que reprova. Eu mesmo nunca pensei que pudesse conceber que o ser humano um dia chegasse a esta cidade de “coisas boas, belas, que fazem bem” – e que isso ficasse sendo a única opção que nós pudéssemos olhar e ter. Foi então que resolvi morar fora do concreto, fora da cidade, no campo, numa fazenda de um amigo. Ah, sim , lá tudo corre bem. Posso xingar o Ronaldo, o galo que insiste em cantar às 3h da manhã, sem que eu me sinta mal ao xingar. Ou até mesmo amaldiçoar o mundo, sem que um fiscal dos bons costumes queira me bater. Lá tem verde também, e isso é bom até pra os mais retardados. Que dirá pra os que não sabem se são. Fiquei por uns 30 anos. II Não estava sozinho – nem tinha família. III Sem tecnologias amarelas pelo tempo, nem barulhos irrec...

ESPETÁCULO #6

O Lula vai que nem cavalo de sete de setembro, cagando e andando e os outros olhando Antonio José Arruti Baqueiro, um dos líderes do MLST Houve a invasão ao prédio da Câmara dos deputados em Brasília, capital do país. Aproximadamente 500 pessoas entraram com pedras, britas, paus, pedaços de paralelepípedos e arrasaram a entrada do prédio. As imagens foram mostradas até pela globo, que não é muito chegada a essas insurreições. Os “baderneiros” do MLST – Movimento de Libertação dos Sem Terra, estão sendo autuados como formadores de quadrilha, corruptores de menores, daí pra baixo ou pra cima. Nas imagens a gente vê famílias inteiras entrando no palácio e quebrando as luminárias e terminais de acesso com pedras. A revolta foi chocante, e os discursos logo começaram a aparecer. Predominou, tanto na esquerda quanto na direita, a tentativa de manter a ordem no país. A quadrilha de gente pobre (campesinos) armada com pedra e pau seria aquela que desordena. Mas as quadrilhas ...

mute antes

Os mutantes voltam depois de 33 anos pra fazer shows na terra Anglo Saxã - Inglaterra, e EUA. Depois de Arnaldo, depois de Sérgio... mas Dinho surpreende. Arnaldo é o corpo vivo do gênio, que brilha no palco doido que nem ele próprio. Sérgio, o mais novo, mas o raciocínio da banda, tem o ouro nas mãos. Dinho fica com a música e ritmo, com a ajuda da belíssima, mas também genial Simone Soul. Zélia Duncan infelizmente não teve lá sua nitidez, mas mesmo assim mostrou aos fãs pra que veio a banda: uma saudade que devia ser assassinada, e uma evidência de que o Brasil não tem mais isso tudo o que eles fizeram. Pra baixar o show que algum fã gravou, favor, clicar: PARTE 1 http://rapidshare.de/files/21218235/Os_Mutantes__London_22_May_2006a.rar.html PARTE 2 http://rapidshare.de/files/21222357/Os_Mutantes__London_22_May_2006b.rar.html

O Crucifixo -- II

Desde este X, que pode virar †. O Crucifixo devém da cruz. Um objeto antigo e conhecido por religiosos dos mais fervorosos aos mais “perigosos” integrantes do PCC – Primeiro Comando da Capital. O objeto afasta vampiros. Mata os obscuros, afirma as bondades pacíficas que todo o ser humano “precisa” e “quer”. O que foi aqui chamado de adorno, esqueçamos essa denominação, agora nos amedronta pela sua aparente insignificância. Muito pelo contrário: o crucifixo significa muitas coisas. Na mente cristã que estratifica a moral e assassina o conhecimento, o crucifixo tem a incumbência de fazer a vida ter relevância, diante do hedonismo. Não tem uma força cruzada – não possui mais a forma de uma arma que conquista os atrasados, bárbaros, aqueles que recusam ser civilizados e ainda adoram o pai ditador que matou o próprio filho [1] . Não está nas bandeiras, nem tem o jesuíta para segura-lo. Ele apenas demonstra uma vitória, e os vencedores são os mais limpos discípulos de Napol...

A Cruz -- I

Morte em todos os lados, no nosso quadrado fechado Antes o sacrifício era feito por consenso da tribo, aquele sacrifício que purgava toda a comunidade – trazia a catarse. O escolhido para ser sacrificado era o que nós hoje chamamos de bode espiatório, o laranja, uma pessoa que de vez em quando nem tem muito a ver com o mal que assola o universo da tribo, mas é enforcado, queimado, assassinado a fim de dar uma lição moralista e religiosa a quem quiser fazer coisas que prejudiquem o sentido do bem dos integrados à comunidade. Na era dos Romanos, em Jerusalém, na Galiléia, muitos sofriam a pena de morte como sacrifício perante os cidadãos romanos. Era dura lex, sede lex . A lei de Talião, do olho por olho, dente por dente, há pouco tempo tinha sido suplementada pela lex romana – nos moldes que somos ensinados até hoje nos cursos de direito. Uma das maneiras de se assassinar o escolhido pela tribo, nesta ocasião, era a crucificação com pena de morte. O sacrificado pela tribo era, d...