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Rock's death

O rock and roll, começando com Muddy Watters , com o blues afirmando-se com uma batida menos improvisada aludindo a um passado mais negro, como o Jazz, mas extremamente violento, agressivo, religioso, gospel, pentecostal, protestante, rico, mostrava ao mundo uma cultura nova. Claro, era também música negra americana agredindo ouvidos brancos recatados, mas evoluiu ao ritmo único, unívoco, padrão do multiculturalismo adotado pela globalização pós-guerra - principalmente nos meandros da revolução jovem das décadas de 60 e 70, quando as indústrias culturais se tornaram mais fortes incluindo a presença daqueles melhores experimentos (are you experienced?) conjuntos entre o mais velho tradicional e o mais jovem pop. Movimento hippie, fuga do urbano, mas não da indústria. Movimento "just DO IT" de Jerry Rubin, movimentos ANTI-GUERRA (ANTI WAR), fim da guerra imperialista do Vietnã apoiada por todo o ocidente, na paranóia que afundou as causas perdidas do socialismo. O slogan é adq...

Xingu

Há formas de se olhar o outro em narrativas. São os focos narrativos, pontos de vista, linhas condutivas através de personagens que encaram o, afinal, desconhecido da aventura, do enredo. Foi assim com aquelas grandes bilheterias da maestria de grandes massas conduzidas pelo olhar curioso, assustado. Alien, de Ridley Scott fez o mundo acordar para seres evoluídos, superiores, que nos consomem por dentro. Nascem, aliás, de nós mesmos. O “outro” que nos habita. No Brasil, terra bastante desconhecida, a regra é essa também. Explorar o oeste, tal como no gênero (também de grandes massas) foi a ordem de um elementar discurso oficial. Temos que nos conhecer por dentro, diria o positivista republicano, fragmento de um déspota esclarecido como D. Pedro II, intelectual do romantismo. Os não lugares então, aqui, estão no profundo interior da floresta. Xingu retoma a encenação deste interior do Brasil Grande. Paulo César Peréio entende bem dessa linguagem provocadora, que in...

Raul - O início, o fim e o meio, de Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel

É pena que uma grande geração de pessoas que imaginaram uma fantasia chamada contracultura hoje seja lembrada por documentários de arquivo. Pena que tudo tenha que aderir à linguagem dominante do "bem apurado", deixando melhor de uma época somente para uma história do passado. Em outras palavras, o documentário histórico nos retira o presente. Em Glauber, Labirinto do Brasil , Dzi Croquettes , Uma noite em 67 , Raul , a tônica é de relembrar um tempo de utopias, daquele jeito que foi a tese tão simples mencionada por Sílvio Tendler. Todos estes filmes nos confirmam a morte de uma geração, que pra o grande sistema pareceu "perdida" em apontamentos propositivos. Uma balela. Os mesmos filmes de arquivo nos fazem reafirmar que todos esses ídolos de uma dimensão artística passada, chamada contracultural, underground, udigrudi, subversiva, ou, lírica, são vivos em nosso imaginário mais criativo. Claro, só podiam estar guardados em nossa Caixa de Pandora, que, caso ain...

Os Inquilinos (Os incomodados que se mudem)

Sérgio Bianchi prepara a cena Bianchi, diretor de cinema meticuloso e preciso no que se trata de temáticas brasileiras, abandona seu sarcasmo tão presente nos longa metragens anteriores. Agora, em Os Inquilinos, a atmosfera é a da inércia, suspense, terror do cotidiano - fora da estratégia da ironia. Difícil dizer o que pode parecer essa nova narrativa que coloca a periferia, a família classe baixa cordial no centro do alvo da objetiva. Ainda assim, é certo que a pegada ainda é a crítica social. Uma interpretação possível pode ser a própria inabilidade com a vida em comunidade do subúrbio, diante de uma paisagem de violência constante e radical. Cidadania? discurso falho já expresso em "Quanto vale ou é por quilo?", uma solução apontada pelo brechtianismo radical: a violência contra organizações que se utilizam da pobreza para enriquecer. A mesma violência que em Os Inquilinos provoca o terror constante da família em busca de paz, ou ascensão social perto da favela, e qu...

O Palhaço, Selton Melo (2011)

Selton não esquece o cinema - ao fazer cinema Em Bye Bye Brasil, 1979, Carlos Cacá Diegues brinca com uma expressão forte da época, a internacionalização de nossa cultura. A brincadeira alegórica, como era de se esperar daquele Cinema ainda Novo , centrava as atenções em um circo. Este, sim, o lugar de brincadeiras, troças, palhaçadas, e, de vez em quando por trás de tudo, de empreendedorismo – do desenvolvimento de uma cultura. Com o termo “internacionalização” vem muito debate. Estes, aliás, às vezes infrutíferos. Tudo é internacional, ainda mais no Brasil, país criado por imigrantes colonizadores. Em um filme que Selton Melo aparece alimentando essa mesma discussão no interior imaginado pela colônia, ninguém pareceu entrar na seara do debate: falo de Lavoura Arcaica. A família, sempre presente hoje nos melodramas cinematográficos, ali toma o pedestal de parábola bíblica, a forma usual, que qualquer cultura cristã parece compreender. Foi incompreendido, como ainda é também o es...

Góticos

Movimento? Parece que foi intenso, e referido aos Godos - tribo bárbara. Eles eram os góticos. Seus ascendentes, ao que parece, foram os Getas, de onde vem o testemunho de Jordanes (ou Jornanes), um romano. A essa época, à altura do medievo, os Romanos, como povo ou como ideologia, eram "dominadores" da cultura européia. Sabe-se hoje que, aquilo que é da "barbárie", não parece ser da "civilização". No entanto, essa máxima renascentista já é datada. Bárbaros são aqueles que não pertencem aos signos propostos pelo ideal de cidadania ocidental - que, aliás, não é bem este o do cânon germânico, junção de várias tribos bárbaras "aculturadas", ou "silvícolas". Por um longo tempo, o tempo secular, o cristianismo convenceu a todos que as matrizes étnicas dos bárbaros e dos romanos eram a mesma. Este longo tempo já é passado. Os góticos, como os turcos, aqueles de Istambul, Constantinopla, são povos extremamente diferentes da europa chamada ...